Por Belcorígenes de S. Sampaio Jr.
Na Roma antiga, quando um general retornava vitorioso de uma batalha era homenageado publicamente em uma cerimônia solene intitulada TRIUNFO.
Devidamente paramentado com vestes imponentes e acompanhado de numeroso séquito, o grande comandante seguia numa carruagem em direção ao Capitólio Romano com enorme pompa, e em meio à multidão frenética que gritava o seu nome.
A única peça dissonante neste cenário era a figura de um escravo que andando discretamente ao lado da carruagem repetia aos ouvidos do ilustre vitorioso, ininterruptamente, a seguinte frase: “toda glória é efêmera” (ou “a glória do mundo passa” - SIC TRANSIT GLORIA MUNDI – em latim).
O claro objetivo desta conduta era permitir que aquele que recebia as honras da multidão não se deixasse levar pela ilusão de ser um deus imortal e assim, sabedor da sua condição humana, não se esquecesse de que acima de tudo era um servo de Roma.
De maneira análoga podemos aplicar esta interessante prática a todas as esferas da nossa vida , apenas substituindo a ideia de Roma pela realidade da família, da sociedade e de DEUS.
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terça-feira, 4 de outubro de 2011
sábado, 9 de abril de 2011
PALESTRAS EM ABRIL
domingo, 30 de janeiro de 2011
NÃO! Sr. PRESIDENTE: Resposta de John Piper ao Presidente Obama Sobre o Aborto

E CRIOU DEUS O HOMEM À SUA IMAGEM: à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. (Livro do Gênesis, Capítulo 1, Versículo 27).
LINK:
http://www.youtube.com/watch?v=CDchKIaNHBk
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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
SOBRE OS FILHOS

TEXTO DE AFFONSO ROMANO DE SANTANA
Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos seus próprios filhos. É que as crianças crescem independentes de nós como árvores tagarelas e pássaros estabanados. Crescem sem pedir licença à vida. Crescem com uma estridencia alegre e, às vezes, com alardeada arrogância. Mas não crescem todos os dias de igual maneira. Crescem de repente.
Um dia sentam-se perto dê você no terraço e dizem uma frase com tal maturidade que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura. Onde é que andou crescendo aquela danadinha que você não percebeu? Cadê a pazinha de brincar na areia e o primeiro uniforme do maternal?
A criança está crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil. E você está agora ali, na porta da discoteca, esperando que ela não apenas cresça, mas apareça! Ali estão muitos pais ao volante, esperando os filhos de cabelos longos e soltos. Entre Hambúrgueres e refrigerantes nas esquinas, lá estão nossos filhos com o uniforme de sua geração: incômodas mochilas da moda nos ombros. Ali estamos com os cabelos esbranquiçados. Esses são os filhos que conseguimos gerar e amar, apesar dos golpes dos ventos e das colheitas, das noticias, da ditadura das horas. E eles crescem meio amestrados, observando e aprendendo com os nossos acertos e erros. Principalmente com os erros que esperamos que não repitam.
Há um período que os próprios pais vão ficando órfãos dos próprios filhos. Não mais os pegaremos nas portas das discotecas e das festas. Passou o tempo do balé, do inglês, da natação e do judô. Saíram do banco de trás e passaram para o volante de suas próprias vidas.
Deveríamos ter ido mais à cama deles ao anoitecer para ouvir sua alma respirando conversas e confidências entre lençóis da infância e os quartos da adolescência cobertos daqueles pôsteres. Não os levamos suficientemente ao playcenter, não lhes demos suficientes hambúrgueres e cocas, não lhes compramos todos os sorvetes e roupas que gostariam os de ter comprado. Eles crescem sem que esgotássemos nele todo o nosso afeto.
Chegou o tempo em que viajar com pais começou ser um esforço, um sofrimento, pois era impossível deixar a turma. Os pais ficaram exilados dos filhos. Tinham a solidão que sempre desejaram, mas, de repente, morriam de saudades daqueles pestes. Chega o momento que só nos resta ficar de longe torcendo e rezando muito para que eles acertem nas escolhas em busca da felicidade. E que conquistem tudo do modo mais completo e possível. O jeito é esperar: qualquer hora podem nos dar netos. O neto é a hora do carinho ocioso e estocado não exercido nos próprios filhos e que não podem morrer conosco. Por Isso avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável carinho. Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto. Por isso é necessário fazer alguma coisa a mais antes que eles cresçam.
Aprendemos a ser filhos depois que somos pais. Só aprendemos a ser pais depois que somos avós ...
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terça-feira, 4 de janeiro de 2011
SÓ DÊ OUVIDOS A QUEM TE AMA
Por Pe. Fábio de Melo
“SÓ DÊ OUVIDOS A QUEM TE AMA. Outras opiniões, se não fundamentadas no amor, podem representar perigo (...)
Cuidado com as acusações de quem não te conhece. Não coloque sua atenção em frases que te acusam injustamente.
Há muitos que vão feridos pela vida porque não souberam esquecer os insultos maldosos. Prenderam a atenção nas palavras agressivas e acreditaram no conteúdo mentiroso delas.
Há muitos que carregam o fardo permanente da irrealização porque não se tornaram capazes de esquecer a palavra maldita, o insulto agressor. Por isso repito: SÓ DÊ OUVIDOS A QUEM TE AMA.
Não se ocupe demais com as opiniões de pessoas estranhas. SÓ A CUMPLICIDADE E CONHECIMENTO MÚTUO PODEM AUTORIZAR ALGUÉM A DIZER ALGUMA COISA A RESPEITO DO OUTRO.
Ando pensando no poder das palavras. Há palavras que bendizem, outras que maldizem. DESCUBRO CADA VEZ MAIS QUE JESUS ERA ESPECIALISTA EM PALAVRAS BENDITAS. Quero ser também. Além de bendizer com a palavra, Ele também era capaz de fazer esquecer a palavra que amaldiçoou. (...) Quero viver para fazer esquecer(...) Queira também. Nem sempre eu consigo, mas eu não desisto. Não desista também. Há mais beleza em construir que em destruir (...)
O que te salva não é o que os outros andam achando, MAS É O QUE DEUS SABE A TEU RESPEITO.”
...
“SÓ DÊ OUVIDOS A QUEM TE AMA. Outras opiniões, se não fundamentadas no amor, podem representar perigo (...)
Cuidado com as acusações de quem não te conhece. Não coloque sua atenção em frases que te acusam injustamente.
Há muitos que vão feridos pela vida porque não souberam esquecer os insultos maldosos. Prenderam a atenção nas palavras agressivas e acreditaram no conteúdo mentiroso delas.
Há muitos que carregam o fardo permanente da irrealização porque não se tornaram capazes de esquecer a palavra maldita, o insulto agressor. Por isso repito: SÓ DÊ OUVIDOS A QUEM TE AMA.
Não se ocupe demais com as opiniões de pessoas estranhas. SÓ A CUMPLICIDADE E CONHECIMENTO MÚTUO PODEM AUTORIZAR ALGUÉM A DIZER ALGUMA COISA A RESPEITO DO OUTRO.
Ando pensando no poder das palavras. Há palavras que bendizem, outras que maldizem. DESCUBRO CADA VEZ MAIS QUE JESUS ERA ESPECIALISTA EM PALAVRAS BENDITAS. Quero ser também. Além de bendizer com a palavra, Ele também era capaz de fazer esquecer a palavra que amaldiçoou. (...) Quero viver para fazer esquecer(...) Queira também. Nem sempre eu consigo, mas eu não desisto. Não desista também. Há mais beleza em construir que em destruir (...)
O que te salva não é o que os outros andam achando, MAS É O QUE DEUS SABE A TEU RESPEITO.”
...
sábado, 24 de abril de 2010
A. A. V. R.
por Olavo de Carvalho
Tenho sugerido, para eliminar a polêmica em torno do aborto e satisfazer os instintos humanitários dos adeptos dessa prática, uma solução fácil e rápida que denomino Auto-Aborto Voluntário Retroativo (A. A. V. R.). Inspira-se no exemplo de um francês, deficiente físico, que processou seus pais por não o haverem abortado. Processou e ganhou. Ora, se um erro pode ser punido, com muito mais razão deve poder ser corrigido. Cada amante do aborto, portanto, pode alcançar a plena satisfação de suas reivindicações esmagando o próprio crânio a fórceps ou por meio de qualquer outro instrumento obstétrico apropriado e solicitando, antes ou depois desse ato cirúrgico, a anulação do seu registro civil de nascimento. Consumada a sua total erradicação do mundo físico e histórico, o distinto ainda teria a satisfação de poder ingressar na esfera do além portando um curriculum mortis idêntico àquele de milhões de bebês que, antes dele, exerceram o direito inalienável de ser abortados.
Observo, de passagem, que, se a apologia do abortismo é feita em nome da liberdade da mulher dispor do seu próprio corpo, a sentença acima referida mostrou que para os próprios abortistas essa liberdade não existe de maneira alguma, já que negam a cada mãe o direito dar prosseguimento a uma gravidez que seu filhinho, no futuro, possa vir a julgar indesejável. O A. A. V. R. protegerá os abortistas contra esse tipo de encrencas lógicas modelo exterminador-do-futuro, retirando-os deste baixo mundo antes que alguém se dê conta de que são completamente loucos.
***
Conforme se viu na Folha de S. Paulo do dia 12, até o sr. Luiz Werneck Vianna, que só não é ainda mais comunista do que é porque já preencheu com a substância gasosa do marxismo o vácuo inteiro do seu ser, admite que não sou porta-voz de nenhum interesse de classe. Esse reconhecimento é ainda mais confiável porque, na boca dele, não é elogio: é vitupério. Tanto que vem seguido da conclusão de que, por isso mesmo, não sou um intelectual. A única função dos intelectuais, na cartilha gramsciana seguida pelo sr. Werneck, é fazer propaganda pró ou contra os interesses burgueses. Como não faço nada disso, estou fora.
A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgeses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária.
Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame.
Tal é a profissão do sr. Werneck, que acredita por isso ser um “intelectual”. Naturalmente ele sabe que, no vocabulário gramsciano, qualquer prestadora de serviços eróticos que suba num caixote para discursar contra o baixo preço do michê já é, ipso facto , uma intelectual. Ele sabe que as coisas são assim, mas também sabe que as pessoas em geral não conhecem essa acepção do termo e o usam, ao contrário, para designar algo que lhes parece lindamente aristocrático. Portanto ele sabe que, ao negar-me a condição de intelectual no primeiro sentido -- o que é perfeitamente justo --, soa como se me negasse as lindezas aristocráticas das quais apreciaria que a platéia o julgasse portador.
A forma mentis dos intelectuais ativistas é toda feita desses jogos de duplo sentido, que as fofoqueiras de arrabalde dominam tão bem mas em cujas complexidades eles às vezes se enroscam ao ponto de colar na própria testa o rótulo pejorativo que desejariam estampar na do inimigo.
Zero Hora, 19 de março de 2006
Fonte: http://www.olavodecarvalho.org/semana/060319zh.htm
Tenho sugerido, para eliminar a polêmica em torno do aborto e satisfazer os instintos humanitários dos adeptos dessa prática, uma solução fácil e rápida que denomino Auto-Aborto Voluntário Retroativo (A. A. V. R.). Inspira-se no exemplo de um francês, deficiente físico, que processou seus pais por não o haverem abortado. Processou e ganhou. Ora, se um erro pode ser punido, com muito mais razão deve poder ser corrigido. Cada amante do aborto, portanto, pode alcançar a plena satisfação de suas reivindicações esmagando o próprio crânio a fórceps ou por meio de qualquer outro instrumento obstétrico apropriado e solicitando, antes ou depois desse ato cirúrgico, a anulação do seu registro civil de nascimento. Consumada a sua total erradicação do mundo físico e histórico, o distinto ainda teria a satisfação de poder ingressar na esfera do além portando um curriculum mortis idêntico àquele de milhões de bebês que, antes dele, exerceram o direito inalienável de ser abortados.
Observo, de passagem, que, se a apologia do abortismo é feita em nome da liberdade da mulher dispor do seu próprio corpo, a sentença acima referida mostrou que para os próprios abortistas essa liberdade não existe de maneira alguma, já que negam a cada mãe o direito dar prosseguimento a uma gravidez que seu filhinho, no futuro, possa vir a julgar indesejável. O A. A. V. R. protegerá os abortistas contra esse tipo de encrencas lógicas modelo exterminador-do-futuro, retirando-os deste baixo mundo antes que alguém se dê conta de que são completamente loucos.
***
Conforme se viu na Folha de S. Paulo do dia 12, até o sr. Luiz Werneck Vianna, que só não é ainda mais comunista do que é porque já preencheu com a substância gasosa do marxismo o vácuo inteiro do seu ser, admite que não sou porta-voz de nenhum interesse de classe. Esse reconhecimento é ainda mais confiável porque, na boca dele, não é elogio: é vitupério. Tanto que vem seguido da conclusão de que, por isso mesmo, não sou um intelectual. A única função dos intelectuais, na cartilha gramsciana seguida pelo sr. Werneck, é fazer propaganda pró ou contra os interesses burgueses. Como não faço nada disso, estou fora.
A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgeses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária.
Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame.
Tal é a profissão do sr. Werneck, que acredita por isso ser um “intelectual”. Naturalmente ele sabe que, no vocabulário gramsciano, qualquer prestadora de serviços eróticos que suba num caixote para discursar contra o baixo preço do michê já é, ipso facto , uma intelectual. Ele sabe que as coisas são assim, mas também sabe que as pessoas em geral não conhecem essa acepção do termo e o usam, ao contrário, para designar algo que lhes parece lindamente aristocrático. Portanto ele sabe que, ao negar-me a condição de intelectual no primeiro sentido -- o que é perfeitamente justo --, soa como se me negasse as lindezas aristocráticas das quais apreciaria que a platéia o julgasse portador.
A forma mentis dos intelectuais ativistas é toda feita desses jogos de duplo sentido, que as fofoqueiras de arrabalde dominam tão bem mas em cujas complexidades eles às vezes se enroscam ao ponto de colar na própria testa o rótulo pejorativo que desejariam estampar na do inimigo.
Zero Hora, 19 de março de 2006
Fonte: http://www.olavodecarvalho.org/semana/060319zh.htm
Perdidos no espaço
Por Olavo de Carcalho / 8 de dezembro de 2005
Os juízes da Primeira Turma Recursal de Brasília que semanas atrás impuseram uma pesada multa ao Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz por chamar uma abortista de abortista já mostraram, só com isso, sua falta do mínimo de capacidade lingüística requerido para um cargo no qual ler, ouvir e compreender são noventa por cento do serviço. A sentença só agora foi publicada, e lida por inteiro fica ainda pior do que aos pedaços.
Afinal, nenhum termo do idioma pode ser pejorativo ou insultuoso quando não há outro supostamente mais amável para substituí-lo. A palavra ''abortista'' é a única que existe para designar o adepto do aborto e distingui-lo tanto do ''aborteiro'', que pratica o que ele prega, quanto do ''anti-abortista'' que se opõe a ambos. Aplicá-lo, numa polêmica anti-aborto, a alguém que dedicou anos de sua vida à promoção do abortismo, é não somente um direito, mas um dever. Um dever de precisão vocabular. A reverência ao termo próprio corresponde, na língua escrita e falada, à retidão na prática judicial. Mostrando-se, por unanimidade, desprovidos de uma coisa e da outra, e ademais inclinados a punir um inocente pelo delito de ter as duas, aqueles magistrados nada provaram contra o réu, mas contra si mesmos: não compreendem o sentido das palavras nem podem, por isso mesmo, julgar com justiça os fatos que elas enunciam.
Mas, então, com que direito permanecem nas altas funções que ocupam sob estipêndio do Estado? Com o direito - respondo eu - ao analfabetismo doutoral, o qual nunca existiu mas foi consagrado neste país desde que um governante disléxico se tornou doutor honoris causa sem precisar ter para isso a causa nem muito menos a honra. Se o presidente pode resolver os destinos da nação inteira sem entender o que lê nem o que diz, por que não poderia aquele punhado de excelências decidir, com igual privação de entendimento, o destino de um mísero cidadão brasileiro?
Mas nem tudo é deficiência naquele tribunal. Em compensação talvez de sua inépcia jurídica e linguística, Suas Excelências excelem no dom da comédia e da farsa em medida raramente igualada não só no mundo real mas em todo o universo da ficção. Pois, além de punir a expressão perfeita de uma verdade óbvia como se delito fosse, ainda vetaram ao réu todo uso futuro da mesma palavra. Ora, o silêncio seletivo, a proibição de dizer certas coisas, é figura inexistente no direito civil ou penal brasileiro. Encontra-se apenas no direito canônico. Faz parte da disciplina clerical. Para aplicá-la, portanto, os magistrados brasilienses tiveram de fantasiar-se mentalmente de superiores eclesiásticos do réu e, ao mesmo tempo, atribuir ao seu tribunal cardinalício imaginário uma prerrogativa da justiça civil e penal, que é a de impor multas. Após terem assim sintetizado em suas pessoas os poderes eclesial e estatal, usando-os para tapar a boca de um cidadão sem poder nenhum, ainda proclamaram que ele - e não o tribunal que o condenava - era a Santa Inquisição rediviva.
Esses magistrados, portanto, não falham somente em compreender o sentido das palavras, por falta de sensibilidade lingüística. Falham também, por excesso de imaginação, em perceber a situação real, imediata, concreta, na qual eles próprios vivem e atuam. Com a maior desenvoltura e segurança, entendem-na às avessas, como aquele maluco do filme de Woody Allen que, recebendo no hospício a visita diária da médica, acreditava ser o psicólogo clínico atendendo a paciente em mais uma sessão de análise. Em psiquiatria, isso chama-se ''delírio de interpretação''. Suas excelências não se contentam com não saber o que dizem. Não sabem onde estão nem o que fazem. A exemplo do mineiro da piada, bem poderiam despertar de um traumatismo craniano perguntando: Docovim? Oncotô? Pocovô? (''De onde vim? Onde estou? Para onde vou?''). A diferença é que o mineiro despertou. Não creio que este artigo ajude Suas Excelências a fazer o mesmo.
*Olavo de Carvalho escreve às quintas-feiras no JB.
Fonte: http://www.olavodecarvalho.org/semana/051208jb.htm
Os juízes da Primeira Turma Recursal de Brasília que semanas atrás impuseram uma pesada multa ao Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz por chamar uma abortista de abortista já mostraram, só com isso, sua falta do mínimo de capacidade lingüística requerido para um cargo no qual ler, ouvir e compreender são noventa por cento do serviço. A sentença só agora foi publicada, e lida por inteiro fica ainda pior do que aos pedaços.
Afinal, nenhum termo do idioma pode ser pejorativo ou insultuoso quando não há outro supostamente mais amável para substituí-lo. A palavra ''abortista'' é a única que existe para designar o adepto do aborto e distingui-lo tanto do ''aborteiro'', que pratica o que ele prega, quanto do ''anti-abortista'' que se opõe a ambos. Aplicá-lo, numa polêmica anti-aborto, a alguém que dedicou anos de sua vida à promoção do abortismo, é não somente um direito, mas um dever. Um dever de precisão vocabular. A reverência ao termo próprio corresponde, na língua escrita e falada, à retidão na prática judicial. Mostrando-se, por unanimidade, desprovidos de uma coisa e da outra, e ademais inclinados a punir um inocente pelo delito de ter as duas, aqueles magistrados nada provaram contra o réu, mas contra si mesmos: não compreendem o sentido das palavras nem podem, por isso mesmo, julgar com justiça os fatos que elas enunciam.
Mas, então, com que direito permanecem nas altas funções que ocupam sob estipêndio do Estado? Com o direito - respondo eu - ao analfabetismo doutoral, o qual nunca existiu mas foi consagrado neste país desde que um governante disléxico se tornou doutor honoris causa sem precisar ter para isso a causa nem muito menos a honra. Se o presidente pode resolver os destinos da nação inteira sem entender o que lê nem o que diz, por que não poderia aquele punhado de excelências decidir, com igual privação de entendimento, o destino de um mísero cidadão brasileiro?
Mas nem tudo é deficiência naquele tribunal. Em compensação talvez de sua inépcia jurídica e linguística, Suas Excelências excelem no dom da comédia e da farsa em medida raramente igualada não só no mundo real mas em todo o universo da ficção. Pois, além de punir a expressão perfeita de uma verdade óbvia como se delito fosse, ainda vetaram ao réu todo uso futuro da mesma palavra. Ora, o silêncio seletivo, a proibição de dizer certas coisas, é figura inexistente no direito civil ou penal brasileiro. Encontra-se apenas no direito canônico. Faz parte da disciplina clerical. Para aplicá-la, portanto, os magistrados brasilienses tiveram de fantasiar-se mentalmente de superiores eclesiásticos do réu e, ao mesmo tempo, atribuir ao seu tribunal cardinalício imaginário uma prerrogativa da justiça civil e penal, que é a de impor multas. Após terem assim sintetizado em suas pessoas os poderes eclesial e estatal, usando-os para tapar a boca de um cidadão sem poder nenhum, ainda proclamaram que ele - e não o tribunal que o condenava - era a Santa Inquisição rediviva.
Esses magistrados, portanto, não falham somente em compreender o sentido das palavras, por falta de sensibilidade lingüística. Falham também, por excesso de imaginação, em perceber a situação real, imediata, concreta, na qual eles próprios vivem e atuam. Com a maior desenvoltura e segurança, entendem-na às avessas, como aquele maluco do filme de Woody Allen que, recebendo no hospício a visita diária da médica, acreditava ser o psicólogo clínico atendendo a paciente em mais uma sessão de análise. Em psiquiatria, isso chama-se ''delírio de interpretação''. Suas excelências não se contentam com não saber o que dizem. Não sabem onde estão nem o que fazem. A exemplo do mineiro da piada, bem poderiam despertar de um traumatismo craniano perguntando: Docovim? Oncotô? Pocovô? (''De onde vim? Onde estou? Para onde vou?''). A diferença é que o mineiro despertou. Não creio que este artigo ajude Suas Excelências a fazer o mesmo.
*Olavo de Carvalho escreve às quintas-feiras no JB.
Fonte: http://www.olavodecarvalho.org/semana/051208jb.htm
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A “língua de pau” chega ao judiciário
por Félix Maier
A “língua de pau” hoje em voga tenta transformar assassinas de bebês em pessoas que teriam o "direito de dispor do próprio corpo", ao mesmo tempo em que criminaliza aqueles que se posicionam como anti-abortistas.
Quem pratica pederastia é o quê? Pederasta. Quem pratica roubo é o quê? Ladrão. E quem pratica o aborto de bebê é o quê? Além de assassino de bebê, é abortista.
Não é isso o que pensam os juízes da Primeira Turma Recursal de Brasília, que condenaram o padre Luiz Carlos Lodi da Cruz, presidente da ONG anti-abortista Pró-Vida, de Anápolis, a pagar uma multa de R$ 4.250,00, mais juros de mora, por ter chamado uma antropóloga abortista de “antropóloga abortista”...
Lendo, abaixo, alguns trechos do acórdão que criminalizou a palavra “abortista”, podemos comprovar a hipócrita “linguagem de pau” utilizada pelos juízes, que transferiram ao pobre padre a intolerância de uma verdadeira Inquisição medieval que eles mesmos utilizaram sem nenhuma cerimônia.
Voto do Relator:
“[O Pró-Vida de Anápolis]... deveria pautar sua atuação pelos princípios que permeiam a doutrina cristã, notadamente a tolerância, o respeito e amor ao próximo, denotando que deveria simplesmente apontá-la como antropóloga que não se afina inteiramente com o posicionamento da entidade na sua ferrenha oposição ao aborto, independentemente da situação da gestante ou do feto que traz no ventre, está permeada por um expressivo ataque à honra da apelada, à sua moral e à sua reputação profissional e pessoal, haja vista a qualificação que lhe fora destinada e aposta abaixo da sua fotografia (“antropóloga abortista”).
[..]
Esse comportamento, evidentemente, não condiz com a salutar e irrenunciável liberdade de expressão, que deve vicejar e estar amalgamada como dogma constitucional no ordenamento jurídico de qualquer país que viva sob as bitolas dos enunciados que guarnecem o estado democrático de direito.
[..]
Desse modo, estando patente que a apelada fora indevidamente atingida em sua honra, decoro e dignidade pelas indevidas imputações que lhe foram endereçadas pelo apelante, sendo que a causa originária dos fatos lesivos fora o injurídico procedimento por ele adotado, o que lhe provocara, irreversivelmente, abatimento psicológico e dor, assiste-lhe o direito de ser indenizada quanto aos danos morais oriundos das ofensas que sofrera.”
[..]
Voto do vogal:
“É importante lembrar que [...] estamos diante de um caso de intolerância religiosa em pleno século XXI, em pleno ano 2005. Essa foi a expressão usada por S. Ex.ª, que ratifico integralmente e tomo a liberdade, concessa venia, de fazê-la minha também.
[...]
E espero, sinceramente, que, daqui para a frente, comportamentos intolerantes, que nos remetem aos tempos medievais da Santa Inquisição, não se repitam em novas ações que exijam a intervenção do Poder Judiciário, porque, no que depender particularmente de mim, e creio que de S. Ex.ª e da eminente Presidente, tais condutas serão severamente rechaçadas.”
Publicado no Diário de Justiça de 1/12/2005, às folhas 311/325, o acórdão de 14 páginas não diz, em momento algum, qual a palavra que deveria ter sido utilizada pelo padre Lodi para designar os que defendem o aborto, ou seja, os “abortistas”.
Aos poucos, vai vencendo em nossa sociedade o conceito do "politicamente correto", que, no uso de paradoxos, eufemismos e circunlóquios vazios, solapa valores agregados à sociedade durante séculos, invertendo o significado das palavras, de modo que o que era condenável passe a ser passivamente aceito pela sociedade como correto, e o que era um imperativo moral passe a ser considerado crime. Desta forma, a “língua de pau” hoje em voga tenta transformar assassinas de bebês em pessoas que teriam o "direito de dispor do próprio corpo", ao mesmo tempo em que criminaliza aqueles que se posicionam como anti-abortistas, ou seja, que são contra o assassinato de bebês. Que "direito" ao aborto é esse que atenta contra a vida de um ser humano já perfeito, de jure e de facto, que teve o início da vida gerado na concepção, que é um corpo totalmente distinto da mãe, não apenas um de seus membros que pode ser arrancado e jogado fora sem quaisquer conseqüências, uma vida que deveria ter direitos ainda maiores que os adultos por ser o mais frágil e inocente de todos os seres humanos?
Em 2000, eu escrevi um texto sobre o assunto. Na ocasião, tratei da ONG "Católicas pelo direito de decidir", filial da Catholics for a Free Choice (CFFC). Obviamente, tal grupo não pode se considerar "católico", simplesmente porque a doutrina da Igreja não permite o aborto. Daí eu ter dado outro título ao grupo abortista, "Católicas pelo direito de matar", título muito mais condizente com as loucuras assassinas que aquele espúrio grupo feminista prega.
Além da bobagem expressa no julgamento do Tribunal de Justiça do DF[*], que simplesmente criminaliza a definição de uma palavra, foi iniciada no Brasil a censura que Lula da Silva pretendia impor com sua "Cartilha politicamente correta", proposta por "Numerário" Miranda, mas que foi exemplarmente rejeitada por intelectuais como Arnaldo Jabor e João Ubaldo Ribeiro, e assim, colocada em banho-maria até uma próxima oportunidade de ataque petista. Depois da condenação do padre Lodi, Fernandinho Beira-mar poderá processar toda pessoa que se referir a ele como “traficante”. E você poderá ser colocado no banco dos réus se chamar as prostitutas da cafetina petista Jeany Corner de “prostitutas”.
A continuar nesse rumo, o Brasil passa a navegar nas trevas da mais ridícula e nefanda intolerância, tornando-se membro de nações retrógradas como Cuba, China, Irã, Coréia do Norte, Arábia Saudita e o Afeganistão dos tempos dos talibãs. Resta ao Supremo Tribunal Federal (STF) restaurar o bom senso, corrigindo a bobagem criada pelo Tribunal de Justiça do DF.
Notas:
[*] A respeito da histórica porém hilária decisão de suas excelências, Olavo de Carvalho escreveu “Perdidos no espaço”.
Fonte: www.midiasemmasca.com.br
A “língua de pau” hoje em voga tenta transformar assassinas de bebês em pessoas que teriam o "direito de dispor do próprio corpo", ao mesmo tempo em que criminaliza aqueles que se posicionam como anti-abortistas.
Quem pratica pederastia é o quê? Pederasta. Quem pratica roubo é o quê? Ladrão. E quem pratica o aborto de bebê é o quê? Além de assassino de bebê, é abortista.
Não é isso o que pensam os juízes da Primeira Turma Recursal de Brasília, que condenaram o padre Luiz Carlos Lodi da Cruz, presidente da ONG anti-abortista Pró-Vida, de Anápolis, a pagar uma multa de R$ 4.250,00, mais juros de mora, por ter chamado uma antropóloga abortista de “antropóloga abortista”...
Lendo, abaixo, alguns trechos do acórdão que criminalizou a palavra “abortista”, podemos comprovar a hipócrita “linguagem de pau” utilizada pelos juízes, que transferiram ao pobre padre a intolerância de uma verdadeira Inquisição medieval que eles mesmos utilizaram sem nenhuma cerimônia.
Voto do Relator:
“[O Pró-Vida de Anápolis]... deveria pautar sua atuação pelos princípios que permeiam a doutrina cristã, notadamente a tolerância, o respeito e amor ao próximo, denotando que deveria simplesmente apontá-la como antropóloga que não se afina inteiramente com o posicionamento da entidade na sua ferrenha oposição ao aborto, independentemente da situação da gestante ou do feto que traz no ventre, está permeada por um expressivo ataque à honra da apelada, à sua moral e à sua reputação profissional e pessoal, haja vista a qualificação que lhe fora destinada e aposta abaixo da sua fotografia (“antropóloga abortista”).
[..]
Esse comportamento, evidentemente, não condiz com a salutar e irrenunciável liberdade de expressão, que deve vicejar e estar amalgamada como dogma constitucional no ordenamento jurídico de qualquer país que viva sob as bitolas dos enunciados que guarnecem o estado democrático de direito.
[..]
Desse modo, estando patente que a apelada fora indevidamente atingida em sua honra, decoro e dignidade pelas indevidas imputações que lhe foram endereçadas pelo apelante, sendo que a causa originária dos fatos lesivos fora o injurídico procedimento por ele adotado, o que lhe provocara, irreversivelmente, abatimento psicológico e dor, assiste-lhe o direito de ser indenizada quanto aos danos morais oriundos das ofensas que sofrera.”
[..]
Voto do vogal:
“É importante lembrar que [...] estamos diante de um caso de intolerância religiosa em pleno século XXI, em pleno ano 2005. Essa foi a expressão usada por S. Ex.ª, que ratifico integralmente e tomo a liberdade, concessa venia, de fazê-la minha também.
[...]
E espero, sinceramente, que, daqui para a frente, comportamentos intolerantes, que nos remetem aos tempos medievais da Santa Inquisição, não se repitam em novas ações que exijam a intervenção do Poder Judiciário, porque, no que depender particularmente de mim, e creio que de S. Ex.ª e da eminente Presidente, tais condutas serão severamente rechaçadas.”
Publicado no Diário de Justiça de 1/12/2005, às folhas 311/325, o acórdão de 14 páginas não diz, em momento algum, qual a palavra que deveria ter sido utilizada pelo padre Lodi para designar os que defendem o aborto, ou seja, os “abortistas”.
Aos poucos, vai vencendo em nossa sociedade o conceito do "politicamente correto", que, no uso de paradoxos, eufemismos e circunlóquios vazios, solapa valores agregados à sociedade durante séculos, invertendo o significado das palavras, de modo que o que era condenável passe a ser passivamente aceito pela sociedade como correto, e o que era um imperativo moral passe a ser considerado crime. Desta forma, a “língua de pau” hoje em voga tenta transformar assassinas de bebês em pessoas que teriam o "direito de dispor do próprio corpo", ao mesmo tempo em que criminaliza aqueles que se posicionam como anti-abortistas, ou seja, que são contra o assassinato de bebês. Que "direito" ao aborto é esse que atenta contra a vida de um ser humano já perfeito, de jure e de facto, que teve o início da vida gerado na concepção, que é um corpo totalmente distinto da mãe, não apenas um de seus membros que pode ser arrancado e jogado fora sem quaisquer conseqüências, uma vida que deveria ter direitos ainda maiores que os adultos por ser o mais frágil e inocente de todos os seres humanos?
Em 2000, eu escrevi um texto sobre o assunto. Na ocasião, tratei da ONG "Católicas pelo direito de decidir", filial da Catholics for a Free Choice (CFFC). Obviamente, tal grupo não pode se considerar "católico", simplesmente porque a doutrina da Igreja não permite o aborto. Daí eu ter dado outro título ao grupo abortista, "Católicas pelo direito de matar", título muito mais condizente com as loucuras assassinas que aquele espúrio grupo feminista prega.
Além da bobagem expressa no julgamento do Tribunal de Justiça do DF[*], que simplesmente criminaliza a definição de uma palavra, foi iniciada no Brasil a censura que Lula da Silva pretendia impor com sua "Cartilha politicamente correta", proposta por "Numerário" Miranda, mas que foi exemplarmente rejeitada por intelectuais como Arnaldo Jabor e João Ubaldo Ribeiro, e assim, colocada em banho-maria até uma próxima oportunidade de ataque petista. Depois da condenação do padre Lodi, Fernandinho Beira-mar poderá processar toda pessoa que se referir a ele como “traficante”. E você poderá ser colocado no banco dos réus se chamar as prostitutas da cafetina petista Jeany Corner de “prostitutas”.
A continuar nesse rumo, o Brasil passa a navegar nas trevas da mais ridícula e nefanda intolerância, tornando-se membro de nações retrógradas como Cuba, China, Irã, Coréia do Norte, Arábia Saudita e o Afeganistão dos tempos dos talibãs. Resta ao Supremo Tribunal Federal (STF) restaurar o bom senso, corrigindo a bobagem criada pelo Tribunal de Justiça do DF.
Notas:
[*] A respeito da histórica porém hilária decisão de suas excelências, Olavo de Carvalho escreveu “Perdidos no espaço”.
Fonte: www.midiasemmasca.com.br
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