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sexta-feira, 8 de abril de 2011

Bolsonaro e o fuzilamento da direita

Autor(es): Guilherme Fiuza
Época - 04/04/2011


No Brasil de hoje, como se sabe, ninguém é de direita. Ou melhor: a direita existe, mas é uma espécie de sujeito oculto, que só aparece para justificar os heroicos discursos da esquerda – eterna vítima dela. Lula governou oito anos, promoveu seus companheiros aos mais altos cargos e salários estatais, fez sua sucessora, e a esquerda continua oprimida pela elite burguesa. É de dar pena. Nessa doce ditadura dos coitados, é preciso cuidado com o que se fala. Os coitados são muito suscetíveis. Foi assim que o deputado federal Jair Bolsonaro foi parar no paredão.

Capitão do Exército, Bolsonaro é filiado ao Partido Progressista, mas é uma espécie de reacionário assumido. Defende abertamente as bandeiras da direita – que, como dito acima, não existem mais. Portanto, Bolsonaro não existe. Mas fala – e esse é seu grande crime. Depois da polêmica entrevista do deputado ao CQC, da TV Bandeirantes, o líder do programa, Marcelo Tas, recebeu e-mails de telespectadores revoltados. Parte deles protestava contra o próprio Tas, por ter dado voz a Jair Bolsonaro. Na Constituição dos politicamente corretos – assim como nas militares –, liberdade de expressão tem limite.

A grande barbaridade dita por Bolsonaro no CQC, em resposta à cantora Preta Gil, foi que um filho seu não se casaria com uma negra, por não ser promíscuo. Uma declaração tão absurda que o próprio Marcelo Tas cogitou, em seguida, que o deputado não tivesse entendido a pergunta. Foi exatamente o que Bolsonaro afirmou no dia seguinte. Estava falando sobre homossexualismo, e não percebeu que a questão era sobre racismo: “A resposta não bate com a pergunta”, disse o deputado.

Se Jair Bolsonaro é ou não é racista, não é essa polêmica que vai esclarecer. No CQC, pelo menos, ele não disparou deliberadamente contra os negros. Estava falando de promiscuidade, porque seu alvo era o homossexualismo. O conceito do deputado sobre os gays é, como a maioria de seus conceitos, reacionário. A pergunta é: por que ele não tem o direito de expressá-lo?

Bolsonaro nem sequer pregou a intolerância aos gays. Disse inclusive que eles são respeitados nas Forças Armadas. O que fez foi relacionar o homossexualismo aos “maus costumes”, dizendo que filhos com “boa educação” não se tornam gays. É um ponto de vista preconceituoso, além de tacanho, mas é o que ele pensa. Seria saudável que os gays, com seu humor crítico e habitualmente ferino, fossem proibidos de fustigar a truculência dos militares?

A entrevista também passou pelo tema das cotas raciais. Jair Bolsonaro declarou o seguinte: “Eu não entraria num avião pilotado por um cotista. Nem aceitaria ser operado por um médico cotista”.
O conceito do deputado sobre os gays é reacionário. Mas por que ele não tem o direito de expressá-lo?

É a resposta de um reacionário, um dinossauro da direita, proscrito pelas modernas ideologias progressistas e abominado por sua lealdade ao regime militar. Mas é uma boa resposta. E agora?

Agora o Brasil bonzinho vai fazer o de sempre: passar ao largo do debate e choramingar contra a direita. Eis um caminho de risco zero. Processar Bolsonaro, o vilão de plantão, é vida fácil para os burocratas do humanismo. No reinado do filho do Brasil, até o nosso Delúbio, com a boca na botija do mensalão, gritou que aquilo era uma conspiração da direita contra o governo popular. O filão é inesgotável.

Cutucar o conservadorismo destrambelhado de Bolsonaro é atração garantida. Mas censurá-lo em seguida não fica bem. Parece até coisa dos antepassados políticos dele. A metralhadora giratória do capitão dispara absurdos, mas não está calibrada para fazer média com as minorias – e isso é raro hoje em dia.

De mais a mais, se manifestantes negros podem tentar barrar um bloco carnavalesco que homenageia Monteiro Lobato, por que um deputado de direita não pode ser contra o orgulho gay e as cotas raciais? Vai ver o preconceito também virou monopólio da esquerda.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Resposta: LIBERDADE RELIGIOSA

Nossa resposta a um email sobre um recente artigo publicado pela Folha de São Paulo que ironiza o vigente regime jurídico das organizações religiosas no Brasil.
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Amigos.

A democracia permite que alguns excessos, de fato, ocorram, porém este “ônus” é preferível ante o perigo da sua antítese que caracteriza os estados totalitários sob liberdade religiosa controlada (ou de fachada). Que o digam (em pleno século 21 e ainda privados de liberdade religiosa) os cubanos, chineses, iranianos, norte-coreanos e cidadãos do mundo oriental, em geral.

Nós, ocidentais, precisamos parar de exercitar esta SÍNDROME DE BOM-MOCISMO que nos avassala a consciência, como se existisse no mundo outro modelo jurídico-político melhor do que a democracia ocidental. Podemos, e devemos refletir sobre as nossas falhas, o que não significa assumir uma postura de culpa permanente por tudo o que somos. Com certeza, é muito melhor a liberdade para acertar e/ou errar, refletir e consertar, ao silêncio de tumulo dos regimes ditatoriais, sejam eles seculares ou religiosos.

Em tempo: é cada vez mais complicado ser HETERO-OCIDENTAL-CRISTÃO em um mundo que clama pela relativização destes valores, tudo em nome da consagração de um pseudo-discurso de promoção da "liberdade de ser o que se é”. Este discurso é falso porque no mundo ocidental, em geral, desde a muito tais liberdades estão consagradas. Na verdade o que se tenta é, ilegitimamente, CALAR as vozes ideologicamente contrárias. Assistimos, assim, à inauguração de uma espécie de imperialismo GAY-ORIENTAL-LAICIZISTA.

A ironia é saber que boa parte das críticas ao modelo ocidental-cristão parte de países, instituições e indivíduos completamente sem isenção, pois diretamente envolvidos com a cartilha relativizadora da New World Order.

Antes que alguém me acuse de retrógrado, gostaria de deixar claro a minha posição: CADA UM TEM O DIREITO DE SER, E FAZER, (dentro da legalidade) O QUE QUISER: “O QUE NÃO VALE É TENTAR CALAR O ADVERSÁRIO (OPOSITOR)”.

Abraço fraternal.


Belcorígenes de S. Sampaio Jr.


PS: O moderno é ler VOLTAIRE.: "sou contra tudo o que vossa senhoria disse, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo".


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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O CASO DATENA E O RETROCESSO DAS INSTITUIÇÕES JURIDICAS

Dr. BELCORÍGENES DE SOUZA SAMPAIO JÚNIOR


Hoje li a seguinte manchete: Datena é condenado em processo por “discriminação homofóbica”. Será que estamos diante de mais uma burrice judicial? De acordo com matéria do jornal Folha de S. Paulo:


“O apresentador José Luiz Datena foi condenado a uma advertência pela Secretaria da Justiça de SP, no processo administrativo que a Defensoria Pública move contra ele por “discriminação homofóbica”. O processo partiu de uma reportagem no programa “Brasil Urgente” durante a qual Datena usou expressões como “travecão butinudo do caramba” ao falar de um travesti. A informação é da coluna Mônica Bergamo, publicada na Folha desta segunda-feira (27). “Não houve discriminação. Falei sobre a agressão [depois da briga, o travesti empurrou o cinegrafista] e não sobre a opção sexual da pessoa”, diz Datena. A Defensoria vai recorrer pedindo que Datena seja multado em R$ 246 mil.” (1)


Não conheço a íntegra do processo que envolve o apresentador, mas gostaria de começar pela própria inconsistência conotativa da palavra “homofobia”, que é interpretada como “medo de homossexual”. Alguém em sã consciência acredita que Datena tenha medo de homossexuais?

Se o fundamento da condenação foi a frase “travecão butinudo do caramba”, conforme reportagem, o que seria então se afirmasse “travecão feio pra burro”? Ora, só mesmo qualificando como imbecil esse tipo de patrulhamento que se aproveita de qualquer gesto ou atitude minimamente suspeita com relação aos homossexuais para transformar o caso em uma apoteose pró-sodomia. Quando isso vai encontrar bom termo? Viva o bom senso, por favor.

Lembro-me de outro apresentador de televisão que foi “demitido por telefone” sob alegação similar e depois saiu da TV brasileira, mudando-se para Portugal. Há algum tempo em entrevista televisiva ele afirmou que dentre as “ajudantes de palco” no seu programa no Brasil existiam dois transexuais, coisa que ninguém sabia. Olha o paradoxo: o rapaz empregava legalmente dois homossexuais e era acusado de homofóbico. Vai entender…

Contudo, é possível sim entender: trata-se de um tipo orquestrado de histeria coletiva das chamadas “minorias pseudo-perseguidas”. Se isso vai ser a regra a partir de agora neste Brasil de pão e circo, que tal incluir dentre as tais minorias os judeus ortodoxos, os cristãos conservadores, os índios pataxos, os negros albinos, os orientais pintados com trejeitos de imbecis nas paródias no cinema e na televisão.


Ronald Dworkin disse:

“O Estado poderia então proibir a expressão vívida, visceral ou emotiva de qualquer opinião ou convicção que tivesse uma possibilidade razoável de ofender um grupo menos privilegiado. Poderia por na ilegalidade a apresentação da peça o mercador de Veneza, os filmes sobre mulheres que trabalham fora e não cuidam direito dos filhos e as caricaturas ou paródias de homossexuais nos shows de comediantes. Os tribunais teriam de pesar o valor dessas formas de expressão, enquanto contribuições culturais ou políticas, contra os danos que poderiam causar ao status ou à sensibilidade dos grupos atingidos”. (2)

O Grupo Gay da Bahia pode afirmar que a Jesus Cristo era gay, porém quando os cristãos afirmam exatamente o inverso é discriminatório? Que justiça de dois pesos e duas medidas é esta? O que há é uma justiça oficial e vendida aos holofotes da mídia chique, que distribui Medalhas Oficiais para quem defende um circo de horrores em avenida pública, uma verdadeira defenestração da imagem humana, chamada “passeata gay”. Medalhas para quem defende a família e a monogamia não existem. Só cadeia e multa. Não é a toa que a nossa balança de exportação de aberrações sexuais seja superavitária, além de sermos um destino preferido para o turismo sexual, pedofílico principalmente. Aliás, desde a colonização, nada mudou neste sul do equador.

A questão é a seguinte: cada um tem o direito de defender a ideologia que quiser, seja ela pró ou contra qualquer coisa (desde que lícita). Mas o Estado não pode violentar a liberdade de pensamento e de expressão dos seus cidadãos, pois isso equivale a estabelecer um ilegítimo tribunal cultural. Conheço um líder cristão que está fora do Brasil, pois foi ameaçado por grupos homossexuais brasileiros que querem promover uma batalha de processos e violências contra ele. É o imperialismo gayizista que almeja CALAR toda voz discordante, enquanto tenta PURIFICAR com a Vara do Estado o mundo dos insuportáveis heterossexuais convictos. Aliás, quem ainda tem a coragem de possuir e defender convicções neste mundo de ambigüidades convenientes?

Sou contra qualquer incitação de violência ideológica ou física, porém cercear a livre manifestação do pensamento é um retorno à idade das trevas.

Deus nos livre destes radicais da mordaça. Viva a liberdade.



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O Dr. Belcorígenes de Souza Sampaio Júnior é advogado, professor de Direito Constitucional e Hermenêutica Jurídica, Mestre em Direito Pela UFPE, Mestre em Direitos Fundamentais (D.E.A.) Pela UBU/Espanha, doutorando (em fase de depósito de Tese) em Liberdades Públicas pela UBU/ Espanha.

E-mail do autor: bsampaiojr@bol.com.br

NOTAS:

1- http://noticias.bol.uol.com.br/entretenimento/2010/12/27/datena-e-condenado-em-processo-por-discriminacao-homofobica.jhtm
2- DWORKIN, Ronald. O direito da Liberdade: a leitura moral da Constituição norte-americana. Trad. M. Brandão Cipolla. São Paulo: Martins Fontes, 2006.


Fonte: www.juliosevero.com

http://juliosevero.blogspot.com/2010/12/o-caso-datena-e-o-retrocesso-das.html


Leia também do Dr. Belcorígenes Sampaio:

Liberdade religiosa versus liberdade de expressão

27 de dezembro de 2010

terça-feira, 17 de agosto de 2010

A Patologia Intelectual da Nova Era

Por Marcus Paulo Rycembel Boeira

terça-feira, 17 de agosto de 2010


Há duas estradas pelas quais caminha a teologia imanentista da história: de um lado, a pretensão de secularização completa da cultura e da moral; de outro, a cristalização das categorias espirituais, tais como desenhadas nas antigas tradições e modelos culturais.

Na verdade, nessas duas perspectivas percebe-se a clara intenção de se acabar coma relação entre o imanente e o transcendente presente em todas as religiões. O nexo simbólico estabelecido entre esses dois campos da dimensão cósmica se harmonizam e completam das formas mais variadas possíveis nas tradições religiosas. Porém, em todas elas há um aspecto permanente de dependência e mútua conexão entre tais campos. Com a nova teologia da história, alimentada pelos auspícios da nova era, nota-se uma ambigüidade de exageros. De um lado, a tentativa de secularizar completamente a realidade humana, transformando o pensamento humano em insights sem fundamentação, sem nexo com as possibilidades transcendentais. A hermenêutica e o conjunto de significados advindos com a “nova cultura” assusta todo aquele que concebe o cenário do pensamento humano não apenas como algo próprio de seu tempo, mas que atravessou a história da civilização, em um dinâmica de contradição e síntese.

Por outro ângulo, vemos que tal proposta, no mais das vezes, nada mais representa senão uma autêntica “cristalização das categorias espirituais”. Uma visão que busca promover o “novo”, desconsiderando o “velho”! Tratam da cultura como se fosse algo de seu tempo, desconsiderando a herança moral; o legado cultural fora abandonado por um idealismo utópico, impossível e, certa maneira, messiânico. Nossos “agentes culturais”, à moda gramsciana, promovem o “novus ordo seclorum” sem nenhum remorso, com a crença apocalíptica de que descobriram o mundo!

Fazem de suas teorias simbolizações artificiais daquilo que acreditam ser eterno, com argumentos vorazes, de cães ferozes, defensores de um mundo desenhado em suas próprias mentes doentias.

A visão da “nova era”, da “nova cultura”, não é nova. Os antigos gnósticos, infiltrados na cristandade, procuraram usar de artifícios intelectuais bastante sedutores para pregarem o que acreditavam ser a “verdade”. Negavam o Cristo, pregando um “cristo” próprio, fruto de suas idéias torpes e inúteis. Fazem das mentiras que propagam grandes espetáculos da cultura, como se suas mentalizações simbólicas pudessem representar a “normalidade”. Transformam a anormalidade em algo normal, em acordo à suas pretensões sádicas e messiânicas.

Eis a mentalidade moderna, oriunda dos positivismos e marxismos, enfim, de idéias utópicas e salvacionistas de um mundo novo, imaginado pelas mentes “desprovidas” de culpa, sem juízo, sem responsabilidade individual.



Disponível em: http://marcusboeira.blogspot.com/2010/08/patologia-intelectual-da-nova-era.html

sábado, 31 de julho de 2010

O mito da divisão islâmica

Por Heitor De Paola | 29 Julho 2010


RESUMO; Israel, por ser um país livre e democrático, está internamente dividida entre ortodoxos, ultra-ortodoxos, liberais, laicos, ateus, e até árabes muçulmanos. Já o Islam é uma grande unidade totalmente baseada no Corão e demais escrituras sagradas.



Venho estudando detidamente os fundamentos do Islam e as estratégias diplomáticas utilizadas no trato com o Ocidente e Israel. É fato que existem sérias divergências entre os países islâmicos, entre as quais:

- Persas x Árabes- Xi'itas x sunitas- Islamismo x nacionalismos- Estados x Estados

Se tomarmos em consideração a faixa de Gaza, por exemplo, no caso de um conflito no qual Israel perca o controle que ainda mantém sobre o território e tendo em vista o apoio total recebido do Irã pelo Hamas, colocaria problemas imediatos para o Egito. Um enclave iraniano ali o ameaçaria diretamente. Deve-se contar com a hipótese de que, mesmo sem a ocupação por tropas iranianas, Gaza pode se tornar um santuário para terroristas xi'itas que teriam uma base segura para atacar a liderança árabe nacionalista e laica (até certo ponto) do Egito Sunita. A Turquia é outro país ameaçado pela política agressiva do Irã, assim como a Arábia Saudita.

Não obstante, que ninguém se fie de que estas divergências se sobrepõem à estrita unidade islâmica quando tratam com os infiéis. Tentar explorar estas desavenças é cair numa armadilha sem saída. A visão islâmica do mundo obedece a linhas que não levam absolutamente em consideração a geopolítica, como fazem os Ocidentais, mas sim princípios religiosos: é o mundo islâmico, ummah, Dar al-Islam, e a vasta região de territórios dos dhimmi, a conquistar para a fé islâmica: o Dar al-Harb. E entre os primeiros estão os Judeus, nunca perdoados desde que recusaram a conversão exigida pelo próprio Profeta Maomé. É preciso deixar claro que, por irracional que pareça, a política é um assunto secundário para os muçulmanos, bem assim como a sobrevivência pessoal.

Arábia Saudita, Egito, Turquia e todos os demais se rejubilariam com um ataque nuclear iraniano que destruísse Israel, mesmo que parte da população 'palestina' fosse também evaporada. O único que temem é que o Irã se aproveite disto para estabelecer a hegemonia persa xi'ita em todo o Oriente Médio.

Israel, por ser um país livre e democrático, está internamente dividida entre ortodoxos, ultra-ortodoxos, liberais, laicos, ateus, e até árabes muçulmanos. Já o Islam é uma grande unidade totalmente baseada no Corão e demais escrituras sagradas. O grande risco é basear qualquer política de enfrentamento confiando que no Islam também existem liberais e moderados. É totalmente falso e o mito da tolerância islâmica é uma lenda inventada por Edward Saïd, um dos mais desonestos escritores de um século mentiroso por excelência. Sua publicação de Orientalism em 1978 tornou-se rapidamente um best seller e influenciou todos os estudos acadêmicos sobre o Oriente desde então. Numa década de auto-ódio dos acadêmicos americanos, interessados em tudo que fosse hate America first - que infelizmente retoma toda força com a administração Obama - caiu como uma mosca do mel. Não nos esqueçamos de que aquele ano foi o auge da dominação marxista na administração Carter que culminou no ano seguinte com a traição ao Xá e a tomada do poder pelos Aiatolás que hoje ameaçam desencadear o novo Holocausto. Saïd, para deleite de seus leitores, usava orientalismo para significar uma tradição ocidental de interpretações preconceituosas do Oriente baseadas no imperialismo europeu dos séculos XVIII e XIX. Doces palavras para ouvidos pervertidos pela obsessão anti Ocidental e anti-semita!

Que digam os israelenses que confiaram durante anos na 'tolerância' turca e agora enfrentam um novo tipo de marinha: além da de guerra e da mercante, os turcos inventaram a 'marinha humanitária da paz'!



Disponível em: http://www.midiasemmascara.org/artigos/religiao/11290-o-mito-da-divisao-islamica.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+midiasemmascara+(MSM)

A tolerância dos moderados

Por Percival Puggina | 28 Julho 2010


RESUMO: A campanha em si é como frango refrigerado, não tem pé nem cabeça. Só serve para que os revolucionários se sintam fazendo revolução. Seu único produto é a aporrinhação ideológica, tão ao gosto da Teologia da Libertação, para a qual a pobreza será superada mediante a total destruição da riqueza.



Era bem antiga a minha curiosidade sobre como os grupos radicais da CNBB conseguiam dar trânsito às suas estapafúrdias propostas e fazer com que elas venham a público sob as bênçãos da entidade, para serem acolhidas como se representassem a posição da Igreja. Essa curiosidade ressurgiu quando eu soube que a CNBB acolhera e dera curso à Campanha Nacional pelo Limite da Propriedade da Terra.

Como uma coisa dessas passa pelo plenário? Eu sabia que, para vários efeitos, havia uma diferença entre os documentos de capa verde da CNBB (estudos para discussão) e os de capa azul (oficializados pela instituição). Mas quantas pessoas no País são capazes de fazer essa distinção? Pois foi com esse devastador argumento, o de que a proposição do plebiscito sairá com capa verde e não com capa azul, que os bispos proponentes da campanha conseguiram a concordância dos colegas.

O leitor não acredita?

Vá ao blog de D. Cristiano (www.domcristiano.com.br) e leia o artigo Um plebiscito para dividir fazendas? Ali, o bispo de Jequié acende a luz do plenário e mostra (viva a internet!) que o processo usado pela ala canhota da CNBB para fazer o que lhe dá na veneta é o mesmo dos mal-educados que chegam tarde e querem assistir ao show na primeira fila: metem uma perna por baixo, um ombro por cima e se posicionam onde querem, contando com a inerte tolerância dos demais ("quando um bispo assume posições muito definidas, os outros não gostam de apresentar opiniões diferentes").
Quanta falta de firmeza, eminências! É assim, então, que irá às ruas, com o selo da CNBB, o plebiscito que visa a colher apoio popular para fixar em 35 módulos rurais a máxima extensão legal das propriedades de terra no Brasil.

A campanha em si é como frango refrigerado, não tem pé nem cabeça. Só serve para que os revolucionários se sintam fazendo revolução. Seu único produto é a aporrinhação ideológica, tão ao gosto da Teologia da Libertação, para a qual a pobreza será superada mediante a total destruição da riqueza. A iniciativa segue a constrangedora tradição do anterior plebiscito pelo calote da dívida externa, prestidigitação sacada da mitra de alguns prelados, em 2000, como um achado de cartola de mágico. Você lembra, não é, leitor? "Não se deve pagar a dívida com o sangue do povo!".

Todos riam na foto que registrou o momento solene em que alguns bispos entregaram ao presidente Fernando Henrique o resultado do tal "plebiscito". As grandes bobagens são assim, provocam grandes risadas. A CNBB endossava o discurso dos petistas que hoje riem, orgulhosos, por estarem pagando a dívida antecipadamente. Há quem goste de fazer esse tipo de papel.

Agora, a CNBB entra na linha do PNDH-3 e o artigo de D. Cristiano dá o serviço sobre como se passaram as coisas na reunião dos bispos em Brasília. O esclarecimento ganha relevo porque contém o relato da infrutífera resistência do autor ao trânsito da matéria pelo plenário: a proposta, assumida por pastorais, foi apresentada por uma comissão nomeada pela presidência e foi endossada pela maioria em virtude daquela tolerância que os moderados têm perante a intolerância dos imoderados.

De nada valeu, bem se vê, a eloquente e firme exortação feita por Bento 16 aos bispos brasileiros do Sul III e IV em fins de dezembro do ano passado quando os advertiu para "o perigo que comporta a assunção acrítica, feita por alguns teólogos, de teses e metodologias provenientes do marxismo, cujas sequelas mais ou menos visíveis, feitas de rebelião, divisão, dissenso, ofensa e anarquia fazem-se sentir ainda, criando, nas vossas comunidades diocesanas, grande sofrimento e grave perda de forças vivas". Tudo indica que o discurso do Papa entrou por um ouvido e saiu pelo outro.

É surpreendente essa inclinação da CNBB para a autofagia pastoral, ora se associando a iniciativas e teses tresloucadas, ora sapecando a sua sigla e marca em tolices como as que povoam os Documentos-Base das últimas Campanhas da Fraternidade. É um fato tão lamentável quanto verdadeiro: qualquer empresa privada é mais zelosa com sua imagem e com o que é feito em seu nome do que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.



Disponível em: http://www.midiasemmascara.org/artigos/religiao/11286-a-tolerancia-dos-moderados.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+midiasemmascara+(MSM)

terça-feira, 29 de junho de 2010

Se Israel afundar, todos afundaremos

Por José Maria Aznar

22 Junho 2010



RESUMO: Revolta em relação aos acontecimentos na Faixa de Gaza é uma distração. Não podemos esquecer que Israel, nesta região turbulenta, é o maior aliado do Ocidente. Há muito tempo está fora de moda na Europa falar em favor de Israel.



Em seqüência ao recente incidente a bordo de um navio cheio de ativistas anti-Israel no Mediterrâneo, é difícil pensar em uma causa mais impopular para lutar. Em um mundo ideal, a intervenção do exército israelense sobre o Mavi Marmara não teria terminado com nove mortos e alguns feridos. Em um mundo ideal, os soldados teriam sido recebidos de forma pacífica no navio. Em um mundo ideal, nenhum Estado, muito menos um aliado recente de Israel, como a Turquia, teria promovido e organizado uma flotilha, cujo único propósito era criar uma situação impossível para Israel, fazendo-o escolher entre desistir de sua segurança e do bloqueio naval, ou incitar a ira mundial.

Em nossas relações com Israel, devemos deixar para trás a raiva que muitas vezes desvirtua o nosso julgamento. Uma abordagem razoável e equilibrada deve encapsular as seguintes realidades: primeiro, o Estado de Israel foi criado por uma decisão da ONU. Sua legitimidade, portanto, não deve entrar em questão. Israel é um país com instituições democráticas profundamente enraizadas. É uma sociedade dinâmica e aberta, que tem repetidamente se destacado nos campos da cultura, ciência e tecnologia.

Em segundo lugar, devido às suas raízes, história e valores, Israel é uma nação de pleno direito ocidental. Na verdade, é uma nação ocidental normal, porém diante de circunstâncias atípicas.

Infelizmente, no Ocidente, Israel é a única democracia cuja existência tem sido questionada desde a sua criação. Em primeira instância, foi atacado por seus vizinhos que usavam armas convencionais de guerra. Em seguida, enfrentou o terrorismo que culminou com uma seqüência de ataques suicidas. Agora, a pedido de radicais islâmicos e seus simpatizantes, enfrenta uma campanha de deslegitimação através do direito internacional e diplomacia.

Sessenta e dois anos após sua criação, Israel ainda está lutando por sua sobrevivência. Punido com chuvas de mísseis que caem no norte e sul, ameaçado de destruição por um Irã que tem o objetivo de adquirir armas nucleares, e pressionado por amigos e adversários, Israel, ao que parece, nunca pode ter um momento de paz.

Durante anos, o foco de atenção do Ocidente tem sido, compreensivelmente, voltado ao processo de paz entre israelenses e palestinos. Mas se Israel está em perigo hoje e toda a região está deslizando rumo a um futuro preocupante e problemático, não é devido à falta de entendimento entre as partes sobre como resolver este conflito. Os parâmetros de um acordo de paz em perspectiva são claros, por mais difícil que possa parecer para os dois lados dar o passo decisivo para um acordo.

As verdadeiras ameaças à estabilidade regional, no entanto, encontram-se no surgimento do radicalismo islâmico que vê a destruição de Israel como o cumprimento de seu destino religioso e, simultaneamente, no caso do Irã, como uma expressão de suas ambições à hegemonia regional. Ambos os fenômenos são ameaças que afetam não só Israel, mas também toda a Comunidade Internacional.

O núcleo do problema reside na maneira ambígua, e muitas vezes errônea, em que muitos países ocidentais estão reagindo a esta situação. É fácil culpar Israel por todos os males do Oriente Médio. Alguns até agem e falam como se um novo entendimento com o mundo muçulmano poderia ser alcançado somente se estivéssemos dispostos a sacrificar o Estado judeu. Isso seria loucura.

Israel é a nossa primeira linha de defesa em uma agitada região que está constantemente sob o risco de cair no caos; uma região que é vital para a segurança energética mundial devido à nossa dependência excessiva de petróleo do Oriente Médio; uma região que forma a linha de frente na luta contra o extremismo. Se Israel cai, todos nós cairemos. Para defender o direito de Israel existir em paz, dentro de fronteiras seguras, requer um grau de clareza moral e estratégica que muitas vezes parece ter desaparecido na Europa. Os Estados Unidos mostram sinais preocupantes de seguirem uma posição no mesmo sentido.

O Ocidente está atravessando um período de incerteza com relação ao futuro do mundo. No sentido amplo, esta incerteza é causada por uma espécie de dúvida masoquista sobre nossa própria identidade; pela regra do politicamente correto; por um multiculturalismo que nos obriga a curvar-nos diante dos outros; e por um secularismo que, cinicamente, nos cega, mesmo quando somos confrontados por membros do jihad promovendo a encarnação mais fanática de sua fé. Deixar Israel a sua própria sorte, neste momento crucial, serviria apenas para ilustrar o quanto afundamos e como nosso declínio inexorável agora se torna eminente.

Isto não pode acontecer. Motivado pela necessidade de reconstruir os nossos valores ocidentais, expressando uma profunda preocupação com a onda de agressão contra Israel, e consciente de que a força de Israel é a nossa força e a fraqueza de Israel é a nossa fraqueza, tomei a decisão de promover uma nova iniciativa chamada Amigos de Israel com a ajuda de algumas personalidades, incluindo David Trimble, Andrew Roberts, John Bolton, Alejandro Toledo (ex-presidente do Peru), Marcello Pera (filósofo e ex-presidente do Senado italiano), Nirenstein Fiamma (autor e político italiano), o financista Robert Agostinelli e o intelectual católico George Weigel.

Não é nossa intenção defender qualquer política específica ou qualquer governo israelense em particular. Os patrocinadores desta iniciativa, com certeza, devem discordar das decisões tomadas por Jerusalém em algumas situações. Nós somos democratas e acreditamos na diversidade.
O que nos une, no entanto, é o nosso apoio incondicional para o direito de Israel de existir e de se defender. Os países ocidentais que se unem com aqueles que questionam a legitimidade de Israel, para que estes joguem com organismos internacionais as questões vitais de segurança de Israel, satisfazendo aqueles que se opõem aos valores ocidentais ao invés de se levantar com firmeza em defesa desses valores, não estão cometendo apenas um grave erro moral, mas um erro estratégico de primeira grandeza

Israel é uma parte fundamental do Ocidente. O Ocidente é o que é graças às suas raízes judaico-cristãs. Se o elemento judeu dessas raízes for retirado e perdemos Israel, também estamos perdidos. Quer queira ou não, nosso destino está interligado.



José Maria Aznar foi ex-primeiro ministro da Espanha entre 1996 e 2004.


(Disponível em: (http://www.midiasemmascara.org/artigos/internacional/oriente-medio/11169-se-israel-afundar-todos-afundaremos-.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+midiasemmascara+(MSM))

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Por que todos odeiam Israel?

Blog do Mr. X

03 Junho 2010



RESUMO: Putin matou duzentos mil muçulmanos chechenos. Os jordanianos mataram em um só mês (Setembro Negro) dez vezes mais palestinos do que os israelenses em 40 anos. Há menos de um mês, um barco sul-coreano foi torpedeado e morreram 46 pessoas, e ninguém está "indignado".Por que alguns mortos valem mais do que outros?


Se é verdade que "os sionistas controlam a mídia", como se explica que esta seja tão fanaticamente anti-Israel? Nenhum outro país é tão vigiado, tão vilipendiado, tão acusado. Se os "sionistas" de fato controlam os meios de comunicação, estão fazendo um péssimo serviço.

Há uma guerra civil no Congo que dura até hoje e que já matou mais de cinco milhões de pessoas em poucos anos. É a guerra com maior número de vítimas desde a II Guerra mundial. Ninguém se importa. Ninguém vai levar medicamentos, água ou comida para esses pobres desgraçados. Não vai haver nenhuma "frota da paz" nessa direção. Ninguém vai comentar em blogs.

Putin matou duzentos mil muçulmanos chechenos. Houve uma única jornalista que protestou, e terminou suicidada com dois tiros. Quanto ao resto da mídia, silêncio.

Os jordanianos mataram em um só mês (Setembro Negro) dez vezes mais palestinos do que os israelenses em 40 anos. Mesmo hoje, morrem mais muçulmanos nos conflitos sunitas versus xiitas do que no conflito com Israel. Mas se árabe mata árabe, ninguém se importa.

Há menos de um mês, um barco sul-coreano foi torpedeado e morreram 46 pessoas, e ninguém está "indignado".

Por que alguns mortos valem mais do que outros?

Agora temos o caso da tal "frota da paz". Eis seus pacíficos passageiros.

É verdade, nem todos na frota eram dessa laia. Alguns eram apenas idiotas úteis, candidatos ao troféu principal dos Darwin Awards (quem mais iria para uma zona de guerra fazer "turismo de protesto"?)

Claramente, tratava-se de uma armadilha. Israel não tinha como vencer: se deixasse os barcos passarem, perdia a moral e a segurança. Se afundasse os barcos, mesmo estando de acordo com a lei internacional (*), o país seria crucificado.

Os israelenses optaram pela opção, a meu ver equivocada, de revistar o barco com soldados, os quais foram recebidos a pauladas, como bem mostra o vídeo no post anterior. Algumas dezenas de soldados contra uma massa humana tentando linchá-los. Nessas condições, o confronto foi inevitável.

O problema poderia ter sido resolvido sem a abordagem, com tiros de advertência de um canhão, seguidos de tiros reais caso o navio continuasse. O escândalo midiático seria provavelmente o mesmo, mas não se colocaria em risco a vida de soldados, e talvez houvesse menos vítimas, já que os caídos ao mar poderiam ser resgatados.

A imagem de Israel sai arranhada, e não podia ser diferente. Israel está virando, para a mídia, a nova África do Sul. Não, não faço aquela velha e gasta comparação com o sistema do apartheid, que era algo totalmente diferente ao que ocorre hoje no Oriente Médio. Mas o país recebe internacionalmente a mesma tentativa de desqualificação total. Assim como todos estavam contra a África do Sul nos anos 80, hoje todos estão contra Israel.

Curiosamente, foi nesta mesma semana que saíram notícias sobre um suposto acordo secreto entre Israel e África do Sul, no qual Israel teria tentado (sem sucesso) vender armas nucleares ao país africano. Logo depois soube-se que as notícias eram falsas, mas não poderia ser mais clara a tentativa de igualar os dois países como párias da humanidade (ou, alternativamente, bodes expiatórios da Sempre Boa "comunidade internacional").

Israel e a velha África do Sul, na verdade, têm muito pouco em comum no que se refere à organização política, até porque Israel é uma sociedade democrática e multiracial. (E se Israel negociava com a África do Sul, era porque o bloqueio árabe deixava poucas outras opções.)

Mas, de certo ponto de vista, a antiga África do Sul e Israel podem ter sim ao menos uma coisa em comum. Se Israel pode ser visto, dependendo da ideologia, tanto como opressor de pobres palestinos ou como um minúsculo país judeu cercado por milhões de inimigos árabes, da mesma forma a África do Sul poderia ter sido vista, não só como um país de brancos malvados oprimindo negros, mas também como um país onde uma minoria branca estava cercada por milhões hostis de maioria negra.

(Não estou apoiando o apartheid, que fique claro: só observando a disparidade das populações, entre judeus e árabes em um caso, e entre brancos e negros do outro, e o ódio entre ambos. É verdade também que o desgosto da mídia é seletivo. Imagine um sistema no qual os brancos sejam oprimidos e expulsos de suas terras, quando não mortos, e pergunte-se se ocorreria o mesmo escândalo. Pois esse país existe, chama-se Zimbábue. Imagine um ou mais países onde os judeus sejam expulsos à força e percam todas as suas propriedades. Também existem, são os países árabes após 1948. Ninguém liga.)

Bem, fora isso, é claro que o apartheid era um sistema opressivo de separação racial que pouco ou nada tem a ver com o que ocorre em Israel, onde o conflito é bem outro e tem origens territoriais e religiosas muito antigas. A similitude está no fato de que, assim como negros e brancos ainda não se dão bem na África do Sul, e alguns até acham que as relações pioraram, muçulmanos e judeus continuarão a se odiar enquanto o conflito por terras e religião continuar.

Pode cantar musiquinha, pode fazer propaganda, pode tentar macumba. O problema não vai se resolver. Há certas questões que são insolúveis mesmo por canais diplomáticos, e mandar "frotas da paz" só atrapalha. Embora talvez seja essa a intenção.

Alguns dirão que a propaganda dos islâmicos venceu, que este é o "Eldorado dos Carajás" israelense. Não importa. Para todos os efeitos, a hora das Relações Públicas acabou. Não interessa mais o que os intelectuais suecos pensem de Israel. O país enfrenta o momento mais delicado desde 1948, com Hizbollah superarmado ao norte, Hamas dominando Gaza ao sul, e a possibilidade de um Irã atômico que fala abertamente em aniquilar o país sob aplausos da comunidade internacional. Agora até a ex-aliada Turquia ameaça se virar contra, e os EUA de Obama tampouco são muito amigos, tendo cancelado uma série de auxílios ao país. Não há mais tempo para posar de bonzinho. É bala na agulha. É Israel contra todos.

Se acham que exagero, basta olhar a repercussão midiática de qualquer evento envolvendo Israel. O país jamais será visto com bons olhos. Até a ajuda que deu durante o terremoto no Haiti foi criticada por alguns (diziam que os sionistas estavam lá para roubar órgãos). Que África do Sul o quê - suspeito que nem a Alemanha nazista foi tão odiada em seu tempo. O ódio contra Israel é irracional, já que o conflito Israel vs. palestinos é um conflito menor, que não tem demasiada importância geopolítica, que não afeta quase ninguém fora daquela limitada região (fora os judeus mortos em atentados terroristas islâmicos em outras cidades) e que nem causou, proporcionalmente, tantas vítimas quanto outros conflitos muito mais sangrentos. Mais muçulmanos são mortos todo ano por muçulmanos do que os que Israel jamais matou. Morrem mais pessoas em um fim de semana nas guerras do tráfico no Rio do que em Gaza. Mas, contra um vendaval de ódio, é inútil argumentar.

Sinceramente, não sei de onde vem todo esse ódio. Poucos se importam se Sri Lanka massacra os tamis, se os Chineses reprimem os tibetanos, ou se os turcos eliminam os curdos. Esses três povos vitimizados tem tanta ou mais "legitimidade" para ter um estado próprio do que os palestinos, que não é uma etnia específica e é um termo que não existia antes de 1967. Mas ninguém se importa muito com eles.

Não, Israel não é perfeito. Muitas vezes erra mais do que acerta. Ultimamente tem cometido algumas trapalhadas, e seus políticos metem os pés pelas mãos. Pode-se argumentar que cometeu vários ataques desnecessários e até crimes de guerra. É válido criticar suas políticas, assim como as de qualquer outra nação. O país não é santo -- mesmo porque não têm opção de ser. Ou resiste, ou é destruído. E não se enganem: esse é o objetivo de seus inimigos. Destruir o país, aniquilar sua população, e colocar toda a área sob controle islâmico.

É claro que alguns ficariam felizes com a destruição de Israel, assim como ficariam felizes com a destruição dos EUA, ou mesmo de todo o odiado Ocidente. A esses, tudo o que se pode dizer é: cuidado com o que deseja, pois poderá se tornar realidade. O resultado vai ser muito pior do que você pensa.


Nota:


(*) Lei Internacional:

12 June 1994
SECTION V : NEUTRAL MERCHANT VESSELS AND CIVIL AIRCRAFT
Neutral merchant vessels

67. Merchant vessels flying the flag of neutral States may not be attacked unless they:
(a) are believed on reasonable grounds to be carrying contraband or breaching a blockade, and after prior warning they intentionally and clearly refuse to stop, or intentionally and clearly resist visit, search or capture.



(Disponível em: http://www.midiasemmascara.org/artigos/internacional/oriente-medio/11123-por-que-todos-odeiam-israel-.html)

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Israel ante o poder global

por Olavo de Carvalho

08 Junho 2010


RESUMO: Se Israel tivesse a seu lado o esquema globalista, teria também a mídia internacional, mas esta é de fato o seu principal e mais odiento inimigo. Longe de ser instrumento de um projeto mundial de poder, Israel é hoje quase uma nação pária, como Honduras, a Colômbia, Uganda ou o Estado americano do Arizona.



O episódio do navio turco em Israel resume-se em dois termos: "factóide" e "guerra assimétrica". Seria a marinha turca tão despreparada, tão ingênua, tão pueril ao ponto de ignorar que nenhum governo do mundo jamais deixaria um navio estrangeiro desembarcar toneladas de caixas numa zona em conflito sem examiná-las primeiro? Sobretudo depois que os mediadores israelenses foram recebidos a socos e pontapés, por que deveria o governo de Tel-Aviv aceitar a priori a hipótese de que o conteúdo das caixas fosse algo de tão inocente quanto bolinhos de bacalhau ou picolés de abóbora? É com base nesta hipótese maluca, teatral, fingida até o último limite de desespero, que a tal "opinião pública mundial" se desfaz em lágrimas de cólera contra a ação israelense.

O significado do caso vai, no entanto, muito além do de mais uma encenação patética de autovitimização palestina. Muitos estudiosos do poder global, inclusive alguns bem honestos, asseguram que o establishment bancário europeu e anglo-americano tem no Estado de Israel um dos seus principais instrumentos de ação imperialista para a conquista do poder sobre todo o orbe planetário. A hipótese parece razoável à primeira vista, tendo-se em conta a elevada presença de judeus nos altos círculos do globalismo, mas ela recebe um desmentido cabal e flagrante quando se observa a atuação da mídia internacional nos vários conflitos que envolvem Israel. Afinal, um bilionário ter nascido judeu não faz dele automaticamente um patriota israelense ou um amigo dos demais judeus, como o sujeito ter nascido americano não faz dele um discípulo fiel dos Founding Fathers.

A mídia é o instrumento supremo de ação das elites globalistas sobre a opinião pública. Daniel Estulin demonstrou, em "A Verdadeira História do Grupo Bilderberg", que hoje em dia a grande mídia da Europa e dos EUA está concentrada nas mãos de uns poucos grupos globalistas. Se Israel estivesse a serviço desses grupos, o que veríamos nos jornais e canais de TV seria a defesa incondicional dos interesses israelenses mesmo quando fossem injustos e prejudiciais ao resto do mundo. Na realidade, o que se vê é precisamente o contrário: façam os judeus o que fizerem, eles são sempre os errados, os malvados, os imperialistas, os agressores. A guerra de ocupação cultural muçulmana no Ocidente, em contrapartida, é invariavelmente pintada com as cores mais inocentes e comovedoras, como se a imposição arrogante da shariah e do poder islâmico na França, na Alemanha ou na Inglaterra fosse apenas uma questão de proteger imigrantes desamparados e inermes.

Diante de cada confronto espontâneo ou fabricado, a reação pró-islâmica e anti-israelense da classe jornalística mundial é sempre imediata, unilateral e sem o mais mínimo exame crítico. A duplicidade de critérios com que aí são julgados os contendores mostra que a cobertura desses episódios, em praticamente todos os países e idiomas, já foi muito além do mero viés jornalístico e se transformou numa arma de guerra assimétrica. Ela tem a constância automática da obediência a um programa de ação previamente decidido. E quem o decidiu, senão os que têm os meios de fazê-lo, os donos da geringonça midiática? Se Israel tivesse a seu lado o esquema globalista, teria também a mídia internacional, mas esta é de fato o seu principal e mais odiento inimigo.

Longe de ser instrumento de um projeto mundial de poder, Israel é hoje quase uma nação pária, como Honduras, a Colômbia, Uganda ou o Estado americano do Arizona, carregando, como eles, a culpa de tomar decisões independentes em favor de seu povo em vez de auto-sacrificar-se masoquisticamente no altar da Nova Ordem Mundial, como o fazem as nações européias.


(Disponível em: http://www.midiasemmascara.org/artigos/globalismo/11140-israel-ante-o-poder-global.html)

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Embarazado sí está, pero no es un hombre

Por Jeff Jacoby

Columna publicada el 23-04-2008



“NO HAY NINGÚN "HOMBRE EMBARAZADO". SÓLO UNA MUJER MUY CONFUSA E INESTABLE QUE PROCLAMA QUE LA CIRUGÍA, LAS HORMONAS Y LA ROPA LA CONVIERTEN EN UN HOMBRE, Y QUE SE AFERRA A ESA FICCIÓN CON DECISIÓN”



Tracy LaGondino está embarazada, noticia que ha generado una enorme expectación. Ha aparecido en la revista People, en el programa de Oprah y por toda la red. El bebé de Tracy, que sale de cuentas en julio, no tiene ningún problema. Pero Tracy tiene un problema grave, y el resto de nosotros también.

Tracy, de 34 años de edad, creció en Hawai y solía competir en concursos de belleza; una vez fue finalista en la edición Miss Hawai Adolescente USA. Ahora se llama Thomas Beatie y al parecer sufre de Desorden de la Identidad Sexual, síndrome 302.85 del Manual Diagnóstico y Estadístico (DSM-IV) de la Asociación Americana de Psiquiatría. Según estas noticias, desde la adolescencia se ha venido sintiendo incómoda con su identidad femenina. Cuando tenía veintitantos, informa el Telegraph of London, "se volvió más masculina", inició una relación lésbica, "e investigó lo que significaba ser un varón transexual". Después vinieron la mastectomía y las inyecciones de testosterona. Tracy/Thomas se dejó barba, cambió su identidad legal a la de un varón y se casó con su pareja, Nancy.

Pero se necesita más que una mastectomía y tratamientos de hormonas para dar un vuelco a la biología. Thomas puede ser un hombre a los ojos de la ley, pero físicamente sigue siendo una mujer, con los órganos reproductivos de una mujer, los genitales de una mujer y los cromosomas de una mujer. De modo que cuando Nancy y ella decidieron tener un bebé, no tuvo ningún problema en concebir a través de la inseminación artificial. El resultado es el espectáculo que ha atraído tanta atención: una mujer con barba embarazada llamada Thomas, que viste y se identifica como un hombre, y tiene una esposa con la que legalmente contrajo matrimonio.

Lo que usted piense de todo esto depende sobre todo de su orientación política. Los activistas transexuales, las feministas radicales y otros movimientos marginales que insisten en que las diferencias sexuales entre hombres y mujeres son artificios patriarcales, no hechos cotidianos insalvables, aplaudirán a Thomas y Nancy como pioneras del cambio de sexo que desafían una opresora dicotomía varón-hembra. Quienes consideramos que el sexo no es un amplio abanico de posibilidades sino una cuestión de dos opciones es más probable que califiquemos toda la situación de profundamente aberrante y perjudicial, especialmente para el bebé que está a punto de venir al mundo.

Pero esta historia del "hombre" embarazado no ha surgido por las buenas.

La semana pasada, la policía desarticuló en Texas una secta polígama que obligaba a chicas menores de edad a casarse con ancianos que abusaban de ellas. Desde Australia llegaron noticias de John y Jennifer Deaves, padre de 61 años y su hija de 39, que han tenido dos niños juntos y se declaraban culpables de incesto, pero afirmaban desear solamente "un poco de respeto y comprensión" por su relación ilícita. Estos son sólo los ejemplos más recientes de una interminable serie de recordatorios de que los apetitos y los impulsos sexuales pueden ser poderosos y retorcidos y conducirnos a consecuencias perjudiciales, sobre todo, para los jóvenes y los más vulnerables. Ese es el motivo de que las sociedades humanas siempre hayan puesto límites al comportamiento sexual mediante tabúes y códigos morales igualmente poderosos.

Cada vez es más frecuente, sin embargo, que quien respeta esos tabúes y códigos sea acusado de ser un fanático de mentalidad estrecha, mientras que quienes los desafían sean aplaudidos por su tolerancia y ausencia de prejuicios. (Ahora que lo pienso, ¿por qué las personas que insisten en que el sexo es algo cambiante y subjetivo argumentan con tanta frecuencia lo contrario en lo que respecta a la raza? Si es progresista no clasificar a los seres humanos solamente en dos sexos, debería serlo igualmente insistir en que nadie sea clasificado en función de la raza o el color.)

Fue Tracy/Thomas la que dio a conocer la historia de su embarazo, narrándola para The Advocate, una revista online gay.

– ¿Cómo me siento siendo un hombre embarazado? Fabuloso – afirmaba exultante –. A pesar del hecho de que mi pecho está creciendo con una nueva vida dentro de mí, me encuentro tranquilo y con confianza siendo el hombre que soy. En un sentido técnico me veo como mi propio vientre de alquiler, aunque mi identidad sexual como varón es constante.

¿Hay algo más incoherente o triste? El Desorden de la Identidad Sexual no es "fabuloso", aunque lo políticamente correcto sea afirmar lo contrario. No es simplemente otra elección de estilo de vida, o una mera tonalidad del arcoíris de la diversidad. Es una disfunción que debería ser recibida con respeto, asesoría médica y terapia, no con reportajes a cinco páginas en People e invitaciones a "Oprah".

Titulares al margen, no hay ningún "hombre embarazado". Sólo una mujer muy confusa e inestable que proclama que la cirugía, las hormonas y la ropa la convierten en un hombre, y que se aferra a esa ficción con decisión, pese a que el bebé que crece en su útero anuncia su condición de mujer al mundo.


(Disponível em: http://www.libertaddigital.com/opinion/jeff-jacoby/embarazado-si-esta-pero-no-es-un-hombre-43210/)

Aborto: A solução não é só abusar, mas matar?

por Julio Severo

06 de dezembro de 2005


RESUMO: Se um pedófilo, em seu abuso individual, é justamente condenado por seus atos, por que o governo, em seu abuso coletivo maior, não recebe também tratamento merecido?


O Congresso Nacional em Brasília votará dia 6 de dezembro de 2005 a legalização do aborto no Brasil. O Estado laico não se guia pelos valores cristãos, de modo que valores estranhos ganham espaço e avançam. De maneira geral, muitos desses valores pertencem a grupos nacionais e internacionais que vêm planejando, trabalhando e pressionando há anos pela liberalização das leis de aborto em nosso país, com a devida cumplicidade de políticos de esquerda. Além disso, o Ministério da Saúde e outros setores do governo também vêm seguindo essa mesma direção. Portanto, é necessário voltarmos a nossa atenção a esse assunto, pois aborto tem tudo a ver com crianças.

Crianças são criaturas indefesas e vulneráveis, e muito precisam de nossa proteção e supervisão. A família tem o dever máximo de vigiar e cuidar de seus filhos. O papel da sociedade é colaborar com tal vigilância e cuidado, com todo respeito à família e seus valores morais e cristãos. A responsabilidade do Estado não é substituir a família em suas funções prioritárias e essenciais, mas fortalecê-la. A família, não o governo, é o protetor natural das crianças e adolescentes.

O tema crianças gera tanta preocupação e atenção do público que basta mencionar a palavra abuso ou pedofilia que todos se unem para apoiar o socorro às crianças. Quando surgem casos de pedofilia, a imprensa entra em cena bradando que o Estado tem a obrigação de intervir contra esses crimes, e o governo logo aparece diante das câmaras declarando que tomará medidas enérgicas contra os criminosos. Aliás, o governo tem sido "convocado" pela ONU e grupos radicais a arrastar para sua rede de abusadores infantis todos os casos que sua visão laica julga como abuso, não poupando nem mesmo famílias evangélicas inocentes que, seguindo a ética bíblica, criam seus filhos mediante sábia aplicação da disciplina física. É meta firme do governo proibir essa disciplina, estigmatizando-a como abuso. O papel do Estado hoje é interpretar, julgar e cuidar de todos esses casos.

Mas esse papel tem sido no mínimo contraditório. O governo tem todo poder e autoridade de proibir toda incitação pública à pedofilia e outros crimes. Então por que permite que os meios de comunicação propaguem impunemente seus programas e cenas freqüentes de incitação ao sexo? Milhões de crianças são expostas a essa incitação diariamente, e o Estado, tão interessado em protegê-las, mal consegue levantar um dedo contra a indústria da TV e outros meios que se enriquecem vergonhosamente com programação que violenta não só a mente das crianças, mas também todos os valores que respeitam e protegem sua inocência. As medidas federais contra a imoralidade na TV são puramente simbólicas, com pouco ou nenhum efeito positivo.

O governo tem, de modo geral, protegido o papel dos meios de comunicação em sua incitação ao sexo. Em retribuição, esses mesmos meios lembram-se incessantemente de prestigiar o Estado como o maior responsável pela solução dos assuntos de pedofilia, como se o governo fosse um Pai acima de todos os outros pais: perfeito, honesto, íntegro, bem-intencionado. Assim, a incitação ao sexo aumenta, e também a pedofilia.

Contudo, será que só o governo tem a palavra final nesses assuntos? Só o Estado sabe julgar e decidir o bem-estar das crianças? O governo é realmente um Pai acima dos outros pais?

Parece que isso é o que toda a sociedade quer, ou é induzida a querer. Certamente, isso é o que todos os liberais querem!

No entanto, o governo não só não inibi a vergonhosa e desenfreada incitação ao sexo dos meios de comunicação, mas também colabora com toda essa incitação.

No começo de 2005, o governo Lula se comprometeu a dar camisinhas para crianças de 10 anos nas escolas. Em vez de educar as crianças para o casamento e para evitar o sexo fora do casamento, o governo prefere incentivar o sexo sem casamento e ensinar as crianças a evitar a gravidez, como se gravidez fosse doença ou problema e como se o sexo sem casamento não fosse problema algum.

Em sua matéria intitulada "Aluno de 10 anos receberá educação sexual, afirma nova política federal", o jornal Folha Online noticiou: "Nos serviços públicos de saúde, a ordem é garantir ao adolescente o acesso do anticoncepcional ao atendimento em caso de violência e abortamento legal... O Código de Ética proíbe o médico de violar a confidencialidade profissional se o menor tiver capacidade de avaliar e solucionar seu problema sem que isso acarrete danos à saúde. O Estatuto da Criança e do Adolescente também garante o direito à integridade física, psíquica e moral".

Então, de acordo com determinação federal, as escolas trabalharão unidas aos "serviços" de saúde. As escolas se tornaram instrumento estatal para lidar com as questões sexuais de jovens e crianças e o governo está empenhado em protegê-los da "intromissão" dos pais. Para garantir que nenhuma família atrapalhe, o Código de "Ética" proíbe o médico e as autoridades escolares de revelarem aos pais que um aluno está recebendo camisinha ou que uma aluna está recebendo anticoncepcionais ou "serviços" de aborto. De acordo com a ética do governo, os pais que têm valores morais e cristãos deverão ficar totalmente de fora desses "cuidados" do governo para com as crianças.

Resumindo: o Estado agora é o Grande Abusador de crianças e famílias. Mas tal título vergonhoso e justo jamais lhe é atribuído, principalmente pela mídia liberal. Por enquanto, somente o pedófilo é condenado. O Estado laico fica impune.

Como se incitação ao sexo e abuso não fossem o suficiente, o governo, que tanto gosta de se representar como defensor máximo das crianças, agora quer assumir um papel que contradiz frontalmente essa imagem: assassino de crianças. O Congresso Nacional está, com a devida pressão do governo Lula, prestes a votar a legalização do aborto no Brasil. Para o
governo, agora a solução não é só abusar, mas também matar.

O aborto, ao contrário do que prega o Estado laico, não é direito da mulher, não é questão de saúde pública, não é questão de saúde reprodutiva ou sexual, não é questão de livre escolha, pois só os assassinos escolhem matar. E o governo quer fazer tal escolha. Fingindo respeitar o direito de as mulheres fazerem aborto, o governo está plenamente disposto a facilitar essa prática e ainda obrigar os hospitais públicos a realizar o que a maioria dos pedófilos não faz: matar crianças.

O fato é que o aborto não envolve só a mãe grávida. O aborto permitido por lei envolve a destruição intencional de uma vida inocente. Mas, acredite se quiser, o Estado laico ignora esse fato. Suas escolas incentivam o sexo fora do casamento e ensinam a evitar a gravidez, deixando uma mensagem bem clara: sexo imoral é bom, gravidez não. É de admirar então seu apoio ao aborto?

Contudo, nenhum governo tem o direito de utilizar seus hospitais para matar crianças. Matar é crime, seja praticado pelo maior assassino, por uma mulher, por um médico ou por um governo. A "interrupção voluntária e legal da gravidez" é matar crianças na própria barriga da mãe. Quem não sabe que o aborto mata já não sabe o que é a vida.

Dá realmente para acreditar que um governo envolvido em apoio a abuso sexual e assassinato de crianças merece o papel de protetor das crianças que a mídia esquerdista lhe impõe? Ou o Estado assume um papel guiado por valores morais e cristãos ou então se arrisca mais cedo ou mais tarde a encontrar em seu meio uma legião de pedófilos que, cansados de "perseguição" e o estigma social de sua conduta pervertida, o invadiram a fim de se aproveitar da impunidade estatal para satisfazer seus instintos. Mas, para os esquerdistas, ser guiado por valores cristãos é pior do que ser invadido por pedófilos!

Primeiro, os esquerdistas reivindicam um Estado laico. Depois que tal Estado é formado conforme a imagem e semelhança deles, os valores judaico-cristãos e todos os outros valores essencialmente morais são descartados em favor de uma ética e democracia pluralista, onde poucos têm alguma noção minimamente correta do que é certo e errado. Com o descartamento dos valores judaico-cristãos, o valor da vida vai sendo submetido e medido por diversas pressões, interesses e tendências, trazendo em seu rastro aborto, eutanásia, leis a favor da perversão homossexual, etc., - e o papel do Estado como protetor e respeitador da vida inocente se perde no meio do redemoinho pluralista. O mandamento "Não matarás" tem pouco efeito moral num governo laico - talvez apenas para interpretações distorcidas e contraditórias. Tal Estado confuso acaba protegendo os culpados e condenando os inocentes, não aceitando de forma alguma a pena de morte para criminosos assassinos, mas aprovando tal pena para bebês indefesos através de leis cruéis que permitem o aborto.

O governo do Brasil hoje tem inegavelmente esses "valores" confusos, porque foi "capturado" por ideologias a favor do aborto, do feminismo e do homossexualismo. O chamado Estado laico não pode, por imposição dos ideais humanistas que o controlam, ser dirigido por valores cristãos, nem respeitá-los. Por isso, não pode respeitar nem promover totalmente o valor da vida humana inocente. Mas tem lutado pela legalização do aborto. E a experiência na Europa e nos EUA mostra que, depois que o aborto é legalizado, o Estado laico o protege, respeita e promove como direito sagrado das mulheres - e milhões de bebês europeus e americanos têm sido mortos em nome desse direito.

Então, o que o governo brasileiro espera resolver com o aborto? Onde está a real preocupação do governo para com o bem-estar das crianças?

Estudos e pesquisas de opinião pública têm confirmado que a grande maioria dos brasileiros não quer a legalização do aborto.

Se a votação sobre aborto no Congresso Nacional terminar do jeito que o governo Lula espera, o povo brasileiro receberá um grande e amargo presente de Natal.



(Disponível em: http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=4365)

A tresloucada simpatia de alguns cristãos por Friedrich Nietzsche e a gritante distorção que fazem do seu discurso

POR Silas Daniel

Sábado, 05 Julho, 2008


RESUMO:O que Nietzsche pregava era a “transvalorização” de toda moral e ética cristãs. O que vale mesmo, de acordo com ele, é a vontade de poder, que, quando prezada, leva ao “super-homem”, ao “sobre-homem”, ao “além-do-homem” (o übermensch, o overman). “Além-do-homem” significa que o “homem normal” deveria se tornar o “homem desejável”, o humanismo em seu sentido mais acentuado (...)O que isso tem a ver com o Evangelho? Nada. Mas tem gente que prefere “ver cabelos em sapo” só para não parecer “atrasado” diante da entourage da pós-modernidade(...).




Há um pequeno fenômeno entre alguns cristãos de hoje, influenciados pela mentalidade pós-moderna, e que, mesmo sendo ainda tímido, já está suficientemente reproduzido em inúmeras reflexões exaradas em livros e sites, ao ponto de merecer a nossa atenção e preocupação: a prática de eleger acriticamente, como referenciais, personalidades que nada têm a ver com aquilo ao qual elas foram eleitas para representar pelos seus aficcionados.

Trocando em miúdos, muitos cristãos estão cometendo o terrível equívoco de escolher como seus referenciais na fé cristã, ou em aspectos da fé cristã, personalidades não-cristãs que não apenas não têm nada a ver com os princípios bíblicos como, em alguns casos, também se opõem ferozmente à genuína fé cristã. Mas seus aficcionados, com sua percepção eclipsada pela sua veneração à entourage da pós-modernidade, não conseguem (ou não querem) enxergar isso. Ao ponto de alguns deles chegarem a afirmar ainda, em alguns casos, o absurdo de que tais personalidades não-cristãs “entenderam mais do Evangelho do que a maioria dos crentes” (sic).

Para não me alongar muito nesta postagem, citarei apenas um dentre vários exemplos graves: o caso do tratamento que alguns cristãos dão ao filósofo prussiano Friedrich Wilhelm Nietzsche.


NIETZSCHE NÃO ERA UM “OPONENTE DO FALSO CRISTIANISMO”


É inconcebível que cristãos vejam algo de cristão, algo do Evangelho, nos escritos de Nietzsche. Na verdade, os que assim fazem ou agem por ignorância ou por pura desonestidade.

Já li e ouvi alguns crentes citarem frases de Nietzsche absolutamente fora de contexto, fazendo seus leitores ou ouvintes pensarem que o filósofo estava se referindo, naqueles momentos pinçados, a idéias que, de alguma forma, se assemelhariam a algo que o Evangelho ensina. Já vi também alguns cristãos irem mais além, afirmando o absurdo de que a luta ácida do prussiano não era contra Jesus, não era contra o Evangelho, mas “apenas contra a religião chamada 'cristianismo', que se corrompeu”, e, por isso, “a luta de Nietzsche, de certa forma, seria a mesma nossa”. E ainda há quem assevere tresloucadamente: “Quem pensa que a luta de Nietzsche é contra Jesus ou não leu Nietzsche ou, se leu, leu e não entendeu”. Não! Quem afirma isso é quem nunca leu Nietzsche ou, se leu, não entendeu absolutamente nada do que escreveu, por mais claro que ele tenha sido em seus escritos. Nietzsche não era intrincado, mas claro em suas afirmações absurdas. Obtusos são os que tentam fazê-lo dizer o que não disse, citando-o totalmente fora de contexto.


NIETZSCHE ERA ABSOLUTAMENTE CONTRA O JESUS DA BÍBLIA


O Jesus que Nietzsche defendia não era o Jesus dos Evangelhos.
Para Nietzsche, os Evangelhos falsificaram a Boa Nova original de Jesus. O Jesus dos Evangelhos é, para ele, uma farsa. Afirmava o prussiano que os quatro evangelistas teriam misturado verdades (poucas) com mentiras (em profusão) em suas narrativas dos Evangelhos. Os quatro Evangelhos são, para Nietzsche, uma fraude, adulterações da “verdadeira história”. Baseado em que Nietzsche dizia isso? Em nada e em ninguém. Ele apenas achava que era assim. E mais: acreditava também que sabia qual era a suposta "genuína mensagem original de Jesus". E como teria encontrado essa "mensagem original"? Intuição (sic). Selecionava as passagens do Evangelho que ele achava que tinham mais a ver com sua idealização do “Jesus histórico” e desprezava as outras, que eram a esmagadora maioria, taxando-as absurdamente de fraudes promovidas por Mateus, Marcos, Lucas e João.

Nietzsche afirmava o que afirmava sobre Jesus e os Evangelhos não porque tinha como provar, mas por simplesmente achar que era assim e pronto. Afirmava como verdade sem preocupar-se com provas. Seguia apenas seu desejo e intuição. E como se não bastasse já a sandice do ato em si, ele escreveu essas suas tresloucadas intuições, em O Anticristo, quando já estava clinicamente louco e sob o efeito de drogas. Ou seja, além de vigarista, era louco. A própria professora Scarlett Marton, especialista em Nietzsche, admite que alguns estudiosos admiradores do prussiano, justamente por causa disso, preferem colocar o filósofo “no seu devido lugar”, separando os seus demais textos daqueles que foram escritos sob o efeito das drogas. Estes, apesar do péssimo gosto, pelo menos são mais honestos, diferentemente de alguns professores seculares que conheci que achavam "lindo" e "romântico" o fato de alguns dos livros de Nietzsche terem sido escritos quando ele estava louco e sob o efeito de drogas. Eles tratavam esses livros, exatamente por isso, como uma espécie de "livros sagrados", quase "revelações divinas", por mais absurdamente ilógicas que sejam, do começo ao fim, as afirmações contidas neles. "Oh, o gênio louco! Que lindo! Que emocionante!"

Ou seja, tratavam-no como aqueles tolos dos anos 60 e 70 tratavam (e alguns ainda tratam hoje) os quadros e músicas bizarros de artistas que produziram suas obras sob o efeito de drogas, sob o pretexto de "ampliar a criatividade". Preferem venerar o que chamam de "insights da loucura" do que atentar para o que é dito em lucidez e sem vigarices. Preferem a "intuição" da loucura do que a lucidez e a verdade dos fatos. Preferem deliberadamente ser engodados do que aceitar a verdade. A lucidez já não importa tanto. Loucura é quase salvação. Mas, pensando bem, o que esperar de uma geração que acha Dadaísmo arte?

E ainda há cristãos que alçam ao nível da excelência frases extraídas de textos sem lógica, sem pé nem cabeça, absurdos, de um coitado acometido de loucura e sob o efeito de drogas nos últimos 27 anos de sua vida (ele se auto-medicava e, entre as drogas consumidas quase que diariamente, estava o haxixe)! E ainda há cristãos que citam declarações de seus livros como se fossem pensamentos sadios teologicamente ou coerentes inferências filosóficas. Basta ler o respectivo contexto de cada citação e vê-se a verdadeira intenção e absurdo por trás de cada frase (independente de ser de livros em que Nietzsche já havia surtado totalmente ou não – basta serem da fase de revolta).

Bem, mas voltemos ao que o prussiano achava de Jesus. Afirma Nietzsche que o verdadeiro Jesus era um rebelde que morreu pelos seus ideais, não era Deus e nem queria salvar ninguém. Os seguidores de Jesus é que teriam inventado essa história de que ele era Deus. Jesus seria apenas um mestre anarquista que queria mostrar como se deveria viver, sem essa história de “humildade” (considerada pelo filósofo “tolice” e “fraqueza”), e que não morreu para salvar os homens. Era esse Jesus que Nietzsche aceitava. Ele afirmava, inclusive, que “o [verdadeiro] Evangelho morreu na cruz [com Jesus]” e o cristianismo seria nada mais do que uma invenção, tendo como seu maior mentor, construtor, idealizador, o apóstolo Paulo.

Nietzsche dizia que Paulo inventou a história do Céu e do Inferno e a necessidade da crença na imortalidade como maneira de desvalorizar o agora da vida no mundo. Seu livro O Anticristo é uma guerra declarada contra o Jesus da Bíblia, o apóstolo Paulo e tudo o mais relativo ao cristianismo. E ataca acidamente todos os teólogos cristãos em seu livro (e não o faz porque acha que os teólogos estão se desviando da Bíblia, como distorcem alguns, mas exatamente porque, como ele mesmo explica, os teólogos disseminam os valores ensinados pela Bíblia, que ele tanto odiava. Porém, alguns cristãos simpatizantes de Nietzsche, avessos à ortodoxia e seduzidos pelos princípios da pós-modernidade, cometem diante desses textos uma vergonhosa dislexia premeditada: usam descaradamente essas passagens em que Nietzsche fala contra teólogos como se ele estivesse opondo-se a estes porque teriam deturpado a Bíblia).

Sintética e finalmente, sabe o que Nietzsche achava do Jesus da Bíblia? A definição a seguir é dada por ele mesmo em O Anticristo: “Canalha indecente!” É isso mesmo que você leu. Essa blasfêmia contra Jesus é proferida por ele em meio à ojeriza que ele expressa em relação às falas de Jesus registradas em Lucas 6.23, Mateus 5.46,47; 6.15,33; 7.1-2; Marcos 6.11 e 8.34 etc. Nietzsche considera esses ensinos de Jesus, todos, uma “sujeira”. Sugere, inclusive, que “convém vestir luvas antes de ler o Novo Testamento”. Veja quanta "simpatia" ele acalentava por Jesus e a Bíblia! E o pior de tudo é que ainda há quem diga que a sua luta era apenas contra o falso cristianismo e não contra Jesus...


O “EVANGELHO” SEGUNDO NIETZSCHE E O EVANGELHO DE JESUS


Nietzsche era um ateu que se opôs veementemente a Deus, à Bíblia e a seus valores. Dizia até que não era “ateu por conseqüência” de alguma coisa, mas “ateu por instinto”; ou seja, segundo ele, sempre fora ateu, mas fugira inicialmente dessa realidade até assumi-la de vez em determinado momento da vida. E levou seu ateísmo até às últimas conseqüências, renegando todos os valores defendidos pela Bíblia, e que considerava a grande “praga” da humanidade e contra os quais lutou em seus escritos até a loucura e a morte. Era um ateu antiteísta no sentido correto da palavra. Ele não era do tipo de ateu que negava o Deus da Bíblia, mas, por outro lado, gostava dos valores judaico-cristãos. Deus, para ele, era uma invenção, “um reflexo da psicologia das pessoas”, do que há de mais fraco nelas, isto é, do que há no “homem atrasado”. Por isso, de acordo com ele, a idéia de Deus e os valores judaico-cristãos deveriam ser todos defenestrados da humanidade, e a nova moral deveria estar baseada no indivíduo, mais especificamente nos seus instintos. Para Nietzsche, a essência do ser é a vontade. Aliás, este é um conceito central no pensamento de Nietzsche.

Enfim, nenhuma das virtudes defendidas pelo prussiano se coaduna com o Evangelho. As virtudes do “super-homem” pregadas por ele são orgulho, vontade inabalável (a busca pela prevalência da vontade pessoal), ambição de poder e inimizade (que os fortes vençam os mais fracos), busca pela satisfação sem restrições “morais” e o que ele entendia como “espírito livre” (livre das “amarras” dos valores judaico-cristãos). Ou seja, extravasar e obedecer à vontade pessoal é a verdadeira felicidade. Jesus, ao contrário, falava de negar a si mesmo e ser fiel até à morte, e que o maior é aquele que mais serve e não se preocupa apenas consigo; e que a felicidade está no amor a Deus e ao próximo.

Entretanto, o que é nobreza para Nietzsche? Segundo ele, o ser humano é tão nobre quanto a sua proximidade com o “super-homem”. Isto é, quanto mais desejo de poder e orgulho, maior é sua nobreza. Já Jesus falava de humildade, mansidão, abnegação e submissão total e incondicional a Deus como coisas que caracterizam a verdadeira virtude, a verdadeira nobreza.

Bem, se Nietzsche chamava a idéia de Deus e todos esses valores defendidos pelo Jesus da Bíblia de “praga”, e asseverava que o que importava mesmo era o poder e o orgulho, como é que alguém pode afirmar que a luta dele era "apenas contra o falso cristianismo"?


“DEUS ESTÁ MORTO E OS PECADOS MORRERAM COM ELE”


Outro absurdo inconcebível é ver crentes lerem a declaração do filósofo de que “Deus está morto e esses pecados morreram com ele” como uma afirmação que estaria reverberando, ainda que inconscientemente, o Evangelho. Nada mais falso! É como usar a música Imagine de John Lennon como se fosse uma música que fala de como será o mundo quando o Reino de Deus for implantado definitivamente em toda a Terra, como já vi crentes fazendo. Isso é um desrespeito ao próprio Lennon, que nem escreveu aquelas palavras nesse sentido, pois nem cria nisso, e ainda era anticristão, deixando isso claro inclusive na própria letra de Imagine: “Imagine que não existe nenhum Céu (...) e nenhum Inferno. (...) Imagine todas as pessoas vivendo pelo hoje. (...) Nenhuma religião também”. Quando Lennon fala de “religião” na letra dessa música, não tinha em mente o que chamamos pejorativamente de religião. Tinha em mente principalmente a pregação do cristianismo sobre a Salvação só em Jesus, a necessidade de arrependimento (palavra inconveniente na pós-modernidade) em relação aos nossos pecados, realidade do Céu e do Inferno etc. Aliás, se Nietzsche estivesse vivo e ouvisse o uso descaradamente distorcido de suas afirmações como se fossem referência ao Evangelho bíblico, ele se revoltaria, escandalizado e extremamente indignado. Lennon, idem.

Aliás, já notou como os crentes influenciados pela pós-modernidade criaram um mecanismo falacioso para tentar fazer os outros e eles mesmos crerem que todos os ataques ao cristianismo não têm a ver com ataques ao Evangelho? A falácia está no joguinho que se faz com o termo “religião”. É o que chamei, parágrafos acima, de “dislexia premeditada”. Simplesmente, dizem que todos esses ataques são, na verdade, contra a “religião cristã” (religião no sentido pejorativo, diferentemente do que aparece em Tiago 1). Porém, a maioria desses ataques estavam e estão expressamente se referindo, quando falam em cristianismo, não a meros ritos religiosos ou legalismo, não ao falso cristianismo, não a uma casca religiosa que se apresenta como cristianismo, mas aos princípios e valores bíblicos mesmo. Conquanto haja quem critica o cristianismo por confundi-lo com o falso cristianismo, é ignorância ou desonestidade classificar todos os ataques como sendo isso. Não são.

Quer se fazer crer que sempre quando alguém ataca a “religião” está usando esse termo no sentido pejorativo que muitos cristãos usam. “Ah, o ataque deles é só contra a chamada ‘religião cristã’, não contra o Evangelho mesmo. Se conhecessem o que ensina o Evangelho, não fariam esses ataques”. E chegam até ao ponto de sacralizar ataques, sagrar o que é original, bíblica e essencialmente anticristão. "Ele não queria dizer o que pensam... O que disse até se parece com o Evangelho!..." Por exemplo, aceitar a letra de Imagine como um não-ataque ao Evangelho, quando é. Desfigura-se a intenção do autor da música ou do texto, ou do artigo, colocando por cima dela a sua interpretação. Despreza-se totalmente a intenção original do autor. Não vale mais o que Lennon quis dizer claramente e como ele tratou do assunto durante sua vida, mas o que eu acho que ele queria dizer ou, melhor dizendo, o que eu quero que ele diga. Assim como não vale mais a intenção de Nietzsche, o que ele quis dizer, por mais gritantemente claro e nítido que ele tenha sido. Vale o que eu quero que ele diga. Isso tem um nome na filosofia: desconstrutivismo. Pode chamar também de “desonestidade com roupagem filosófica”.

Além de não haver Evangelho em Nietzsche, torcer o significado claro de seu texto é desrespeitá-lo. É propaganda enganosa, é usar indevidamente, distorcidamente, as suas palavras. Não é à toa que os crentes que fazem isso são geralmente os mesmos que desprezam as regras básicas e evidentes de hermenêutica na hora de interpretar textos bíblicos. A motivação é a mesma: fazer com que os textos bíblicos que usam digam o que eles querem que digam, assim como fazem com os textos de outros autores.
Quem ler o argumento de Nietzsche todo verá que quando ele disse “Deus está morto e esses pecados morreram com Ele”, estava dizendo que os valores são uma invenção alimentada pela crença em Deus, por isso, de acordo com o prussiano, quando os seres humanos tomassem consciência da inexistência de Deus, os valores decorrentes dessa crença (e que são para ele uma “doença”) se extinguiriam, e com eles a idéia de “pecado”. Quando ele afirma “Deus morreu”, está dizendo que tanto a idéia de Deus quanto os valores, decorrentes de se crer nEle, morrem. Morrem com Ele. Por isso, não haveria mais o que se falar de “pecado”.

O que Nietzsche pregava era a “transvalorização” de toda moral e ética cristãs. O que vale mesmo, de acordo com ele, é a vontade de poder, que, quando prezada, leva ao “super-homem”, ao “sobre-homem”, ao “além-do-homem” (o übermensch, o overman). “Além-do-homem” significa que o “homem normal” deveria se tornar o “homem desejável”, o humanismo em seu sentido mais acentuado.

O que isso tem a ver com o Evangelho? Nada. Mas tem gente que prefere “ver cabelos em sapo” só para não parecer “atrasado” diante da entourage da pós-modernidade – já que, na pós-modernidade, desprezar o “papai” Nietzsche é não ser intelectual, quando a verdade crua e nua é que Nietzsche está quilômetros abaixo dos maiores filósofos do passado. É fumaça pura.

Isso não quer dizer que não possa existir alguma razão para lê-lo. Há umazinha só: ler Nietzsche é importante para entender melhor o espírito e a mentalidade desvirtuada dos nossos dias, tão influenciados pelos seus escritos. Excetuando isso, o que sobra é uma experiência irrelevante, que não acrescenta nada à nossa vida, além de ser desagradável por razões óbvias (Ou alguém gosta de ler mentiras grosseiras e ofensas vomitadas num papel em um transe de ódio e alucinação?). Passei por essa experiência há alguns anos, sem um pingo de saudades e achando cada vez mais estranho como tem gente que consegue lê-lo (se é que realmente leu, no sentido lato do termo) e confundir vidro com diamante, latas com taças de ouro.



(Disponível em:http://silasdaniel.blogspot.com/2008/07/about-nietzsche-ou-o-perigoso-equvoco.html)

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Tolices contagiantes

Por Percival Puggina

24 Maio 2010


RESUMO: A maioria das proibições (e também dos direitos) vigentes no país corresponde a direitos e proibições acolhidos pela moral cristã.A lista é imensa. E nem por isso tem a vigência sustada em virtude de sua conformidade com determinada moral religiosa.


Pessoas inteligentes não devem apresentar tolices como se argumentos fossem. Quando fazem isso é por pura e simples má fé. Por desonestidade intelectual. E o pior é que funciona. Repita-se uma tolice insistentemente nos meios de comunicação e, em breve, verdadeira multidão estará dizendo a mesma coisa. A sensatez é bem menos contagiante do que a tolice.

Veja-se este exemplo. Certamente, por tanto ouvir, o leitor conhece a afirmação de cor e salteada: "O Brasil é um Estado laico. Portanto, quem não quiser fazer aborto que não faça, mas não queira impor a proibição aos demais". Hein? Quantas vezes você já ouviu essa patacoada, repetida por gente de sebo e lustro intelectual? No entanto, trata-se de algo sem pé nem cabeça. Aceitar tal dito como argumento implica acolhê-lo para outras situações análogas. Assim: "Quem não quiser espancar a mulher, abandonar os filhos, apropriar-se do alheio, ter várias esposas, andar nu na rua, fazer sexo em público, matar seus inimigos, que não o faça, mas não queira impor aos demais essas vedações da moral cristã. O Brasil é um estado laico".

O Brasil é, de fato, um Estado laico. Como devem ser os Estados modernos. Mesmo assim, a maioria das proibições (e também dos direitos) vigentes no país corresponde a direitos e proibições acolhidos pela moral cristã, como se viu no brevíssimo sumário acima. A lista completa é imensa. E nem por isso tem a vigência sustada em virtude de sua conformidade com determinada moral religiosa. A condição de Estado laico significa coisa bem diferente do que pretendem os enunciadores de tais tolices. Significa, por exemplo, que se o Congresso Nacional legalizar a poligamia, os setores inconformados da sociedade poderão se mobilizar, questionar o preceito perante o STF, sapatear de indignação. No entanto, por mais que a moral cristã repila tal prática, por mais que a poligamia contribua para o servilismo feminino, se o Supremo a referendar, ela passa a valer. E ponto final. Em relação ao aborto é a mesma coisa.

Quando a somali Ayaan Hirsi Ali, autora do livro Infiel, conseguiu fugir para a Holanda, percebeu que nas famílias imigrantes de países fundamentalistas islâmicos persistiam as práticas abusivas contra a dignidade feminina (inclusive infibulação e espancamento). Deu início, então, a uma campanha para tornar obrigatória aos imigrantes a sujeição às leis holandesas, o que implicou considerar delituosos aqueles procedimentos. Pergunto: não seria uma rematada tolice contrapor à brava somali (que acabou deputada no parlamento holandês) que a Holanda era um Estado laico onde quem quisesse moer a mulher de pancada poderia fazê-lo se estivesse habituado a outro código moral ou religioso?

Não se alegue que o aborto difere dos demais casos porque envolve um direito da mulher. Também isso é falso. Assim como o suposto "direito" de o marido castigar a esposa atinge o direito da esposa à própria dignidade, o "direito de abortar" (muito mais gravemente ainda) atinge o direito à vida de outro ser humano. E o direito à vida cobra suprema proteção legal! Aliás, a última pesquisa feita no Brasil pelo Datafolha sobre o assunto, em 2003, mostrava que a população feminina (65%) era ainda mais contrária ao aborto do que a masculina (63%). Mas cá entre nós, sei que não adianta argumentar. Os propagadores de tolices estão interessados, apenas, em vencer e convencer, ainda que às custas da razão, da verdade e das vidas alheias.



(Disponível em: http://www.midiasemmascara.org/artigos/direito/11089-tolices-contagiantes.html)

O que sobrou da religião

Por Olavo de Carvalho

16 Maio 2010


RESUMO: É tudo uma profecia auto-realizável: se a evidência avassaladora da percepção extracorporal é negada, não é só porque as pessoas não acreditam nela - é porque se tornaram realmente incapazes de vivenciá-la de maneira consciente.


Se há neste mundo um fato bem comprovado, é a percepção extra-sensorial durante o estado de morte clínica. Um corpo inerte, sem batimentos cardíacos ou qualquer atividade cerebral, desperta de repente e descreve, com riqueza de detalhes, o que se passava durante o seu transe, não só no quarto onde jazia, mas nos outros aposentos da casa ou do hospital, que de onde estava ele não poderia ver nem se estivesse acordado, bem de saúde e com os olhos abertos.

Isso já se repetiu tantas vezes, e foi atestado por tantas autoridades científicas idôneas, que só um completo ignorante na matéria pode teimar em permanecer incrédulo. Mas mesmo alguns daqueles que reconhecem a impossibilidade de negar o fato relutam em tirar a conclusão que ele impõe necessariamente: os limites da consciência humana estendem-se para além do horizonte da atividade corporal, inclusive a do cérebro.

A relutância em aceitar isso mostra que o "homem moderno" - o produto da cultura que herdamos do iluminismo - se identificou com o seu corpo ao ponto de sentir-se amedrontado e ofendido ante a mera sugestão de que sua pessoa é algo mais. É evidente que aí não se trata só de uma convicção, de uma idéia, mas de um transe auto-hipnótico incapacitante, de um bloqueio efetivo da percepção.

Esse estado é implantado nas almas pela tremenda pressão anônima da coletividade, que as mantém em estado de atrofia espiritual mediante a ameaça do escárnio e o temor - imaginário, mas nem por isso menos eficiente - da exclusão. Infinitamente multiplicado e potencializado pelo sistema educacional e pela a mídia , o que um dia foi mera idéia filosófica, ou pseudofilosófica, incorpora-se nas personalidades individuais como reflexo de autodefesa e, na mesma medida, restringe a autopercepção de cada qual ao mínimo necessário para o desempenho nas tarefas imediatas da vida socio-econômica. É tudo uma profecia auto-realizável: se a evidência avassaladora da percepção extracorporal é negada, não é só porque as pessoas não acreditam nela - é porque se tornaram realmente incapazes de vivenciá-la de maneira consciente. Vivem alienadas da sua experiência psíquica mais profunda e constante, encerradas num círculo de banalidades no qual o triunfalismo "cultural" e "científico" da mídia popular infunde uma ilusão de riqueza e variedade.

O "mundo real" no qual essas pessoas acreditam viver é o dualismo galilaico-cartesiano, já totalmente desmoralizado pela física de Einstein e Planck, mas que a mídia e o sistema escolar continuam impondo à alma das multidões como verdade definitiva: tudo o que existe nesse mundo são as "coisas físicas" e, em cima delas, o "pensamento humano", as "criações culturais". De um lado, a realidade dura da matéria regida por leis supostamente inflexíveis, nas quais se fundamenta a autoridade universal e inquestionável da "ciência"; de outro, a pasta mole e dúctil do "subjetivo", do arbitrário, onde toda opinião vale o mesmo. Dessa esfera "subjetiva" faz parte a "religião", que é o direito de crer no que bem se entenda, com a condição de não proclamá-lo jamais verdade objetiva ou valor universal.

Nessas condições, o próprio exercício da religião torna-se uma caricatura grotesca. Tanto quanto o ateu, o homem religioso de hoje em dia acredita piamente na existência de uma esfera material autônoma, regida por leis próprias que a ciência enuncia, só de vez em quando rompidas pela interferência do "milagre", do "inexplicável", do "divino". Por mais que a filosofia esculhambe com o "Deus dos hiatos" (aquele que só age por entre as brechas do conhecimento científico), ele é o único que restou no altar das multidões de crentes. Oficializada pelo establishment governamental, universitário e midiático, a rígida separação kantiana de "conhecimento" e "fé" tornou-se verdade de evangelho para a maioria das almas religiosas, embora ela seja, em si, perfeitamente herética à luz da doutrina católica, interpondo um abismo infranqueável entre dimensões cuja interpenetração, ao contrário, é a própria essência da concepção cristã do cosmos. É novamente a profecia auto-realizável em ação: à percepção mutilada do eu individual corresponde uma religião mutilada, e vice-versa.

Quando digo percepção mutilada, estou afirmando, taxativamente, que a imagem do eu como algo que reside no corpo ou se identifica com ele é fantástica, ilusória, doente. Ela impõe à consciência limitações que não são de maneira alguma naturais, muito menos necessárias. Todas as tradições espirituais do mundo, todas as disciplinas sapienciais começam pela constatação óbvia de que o eu não é o corpo, não "está" no corpo mas de certo modo o abrange como o supra-espacial transcende e abrange o espacial (este é balizado por certas relações matemáticas que, em si, não estão em parte alguma do espaço). Mas uma coisa é compreender isso por pura lógica, outra bem melhor é poder constatá-lo no fato vivo da percepção extra-sensorial em casos de morte clínica. Bastaria, a rigor, um único episódio desse tipo para dar por terra com a balela de que o cérebro, isto é, o corpo, "cria" a cognição, o pensamento, a consciência. Mas os episódios são milhares, e o desinteresse dos crentes por esse tipo de fenômenos (mais estudados por ateus, adeptos da New Age e budistas do que por católicos, protestantes, ou mesmo judeus crentes) denota que a mente religiosa já se conformou com um estado de existência diminuída, em que a alma supracorporal, condição fundamental do acesso a Deus, só passará a existir no outro mundo, por alguma transmutação mágica da psique corporal, em vez de constituir já nesta vida a nossa realidade pessoal mais concreta, mais substantiva e mais verdadeira, presente e atuante nos nossos atos mais mínimos como nas nossas vivências mais elevadas e sublimes.

Durante milênios cada ser humano, ao pronunciar a palavra "eu", referia-se de maneira imediata e automática à sua alma imortal, a única que podia orar e responder por seus próprios atos ante o altar da divindade. Dessa alma, a psique corporal era uma parte e função menor, voltada ao meio material e social tão-somente, alheia a todo senso do eterno e, a rigor, incapaz de pecado ou santidade, apenas de delitos e virtudes socialmente reconhecidos. A partir do momento em que a psique corporal foi assumida como realidade autônoma, cada indivíduo só se enxerga a si mesmo como membro de uma espécie animal e como "cidadão", amputado daquela dimensão que fundamenta o senso último de responsabilidade e cultivando, em lugar dele, o mero instinto da adequação social, adornado ou não de "moral religiosa". Imaginem a diferença que isso faz, por exemplo, na compreensão que você tem da Bíblia: se você não a lê com sua alma imortal, talvez fosse melhor não lê-la de maneira alguma, porque a lê com a carne e não com o espírito.



Diário do Comércio, 12 de maio de 2010


(Disponível em: http://www.midiasemmascara.org/artigos/cultura/11074-o-que-sobrou-da-religiao.html)

segunda-feira, 17 de maio de 2010

ELES DÃO A RESPOSTA ERRADA

Autor não conhecido


Como responderiam outras religiões ao clamor do carcereiro de Filipos, “QUE É NECESSÁRIO QUE EU FAÇA PARA ME SALVAR?”.


Os maometanos responderiam: “Repete as palavras: Não há deus a não ser Alá e Maomé é o seu profeta; ora cinco vezes ao dia; dá esmolas aos mendigos; guarda os jejuns; lê o alcorão e faz uma peregrinação à Meca”.


O Sacerdote hindu replicaria: “Observa as leis da castidade; adora o macaco e a vaca; rasteja no pó como um verme e miserável até um dos templos sagrados; banha-te nas águas de Ganges; ergue um templo a uma de entre um milhão de divindades. Assim talvez possas escapar de renascer como um réptil ou como um animal e ficares incorporado numa deidade”.


Os budistas responderiam: “Esquece-te de que tens corpo; torna-te indiferente aos prazeres e as dores e assim podes atingir o Nirvana – o estado da paixão extinta”.


O erudito Confúcio teria dito: “Estuda os clássicos sagrados e aprende as regras da justiça”. Confúcio mostra o caminho do dever, mas não pode te ajudar a seguí-lo. Tu tens de te salvar a ti mesmo.


Contrasta a estas respostas com a simples e toda suficiente resposta de Paulo: “CRÊ NO SENHOR JESUS E SERÁS SALVO”. Não há necessidade de compreender as profundas perguntas de teologia ou efetuar tarefas impossíveis. Tu não podes salvar-te a ti mesmo. Entrega-te a Cristo e ele te salvará.


(Fragmento de jornal “O Clarim”)

O novo Império Mongol

por Olavo de Carvalho

10 de fevereiro de 2006



RESUMO: A imposição da sharia como lei obrigatória para a humanidade, com a supressão de todas as leis religiosas concorrentes, é uma das metas do imperialismo cultural islâmico, e com a ajuda de praticamente toda a elite ocidental, a luta por esse objetivo alcançou durante esta semana uma vitória formidável.



Se você escreve uma cartinha aos jornais contra a proibição das preces nas escolas públicas, contra peças de teatro que mostram um Cristo gay ou mesmo contra as matanças de cristãos na China, no Sudão e na Coréia do Norte, você é um fanático fundamentalista, um extremista de direita. Mas, se você ateia fogo em embaixadas e sai pelas ruas ameaçando matar meio mundo para mostrar quanto você odeia uma caricatura de Maomé publicada num pequeno jornal dinamarquês, você é um cidadão de bem no pleno uso do direito de protestar contra um insulto sacrílego.

Tal é o critério de julgamento que a mídia internacional acaba de impor à humanidade, com a aprovação explícita ou implícita de vários governos europeus, da ONU, do presidente George W. Bush e até "mas será o Benedito?" do Papa. A unanimidade mundial dos bem-pensantes contra o jornal dinamarquês brotou na mesma semana em que o Congresso americano está votando uma lei, "mais uma, na escalada da repressão anticristã inaugurada seis décadas atrás por Franklin D. Roosevelt", que suprime toda ajuda estatal para internação em asilo no caso de qualquer velhinho com Alzheimer que, nos cinco anos anteriores, tenha cometido o pecado de dar contribuição em dinheiro a alguma igreja, mesmo no montante de um dólar ou dois. Não consta que S. Santidade tenha protestado contra essa discriminação ostentiva, mas desenhar o Profeta, ah, isto o Vaticano não tolera.

O mais interessante no episódio é que as explosões de ódio antidinamarquês não foram suscitadas pelo conteúdo específico da charge, "que a rigor nada diz contra o Islã enquanto tal, apenas contra o terrorismo", e sim pelo simples fato de que ela mostre o Profeta Maomé, o qual pela lei islâmica só pode ser representado com o rosto encoberto.

Ao endossar a legitimidade do violento protesto muçulmano, a alta hierarquia católica está simplesmente forçando os fiéis da sua Igreja a obedecer o mandamento de uma religião alheia. De quebra, estende essa mesma obrigação aos protestantes, aos judeus, aos budistas, aos ateus e a tutti quanti . O Islã deve ser mesmo uma religião muito especial, já que suas leis não são obrigatórias só para os muçulmanos, mas para toda a humanidade.

O velho Império Mongol não reconhecia a existência de outros impérios ou de nações independentes. Na sua lei, só existiam duas áreas no mundo: as obedientes e as desobedientes. Estas não passavam de territórios mongóis provisoriamente rebelados, destinados a ser punidos e subjugados mais dia menos dia.

O Islã reconhece, oficialmente, a legitimidade de algumas outras religiões, entre as quais o cristianismo e o judaísmo. Mas esse reconhecimento se torna mero formalismo oco a partir do momento em que os fiéis dessas religiões já não podem decidir suas próprias ações de acordo com os mandamentos delas, e em vez disto se vêm obrigados a cumprir mandamentos islâmicos. Para o cristão não há nada de mau em desenhar o rosto de Cristo, nem para o budista em pintar uma imagem do Buda. Pelos critérios de suas religiões respectivas, não pode, portanto, haver erro ou crime em desenhar o profeta de uma outra religião. Mas quem disse que eles têm o direito de julgar isso de acordo com sua própria religião? Que sigam o Corão e não reclamem!

A imposição da sharia como lei obrigatória para toda a espécie humana, com a concomitante supressão de todas as leis religiosas concorrentes, é uma das metas mais óbvias do imperialismo cultural islâmico, ponta de lança do imperialismo político e militar. Com a ajuda de praticamente toda a elite ocidental, a luta por esse objetivo alcançou durante esta semana uma vitória formidável.



Publicado pelo Diário do Comércio em 09/02/2006

Fora do tempo

por Olavo de Carvalho

06 de fevereiro de 2006


RESUMO: Idéias só importam quando estão em grandes cabeças. De microcéfalos só se espera que ajudem a fazer número.



Tenho dito e repetido, desde há alguns anos, que o socialismo como modelo econômico foi adiado sine die , que o movimento comunista internacional se diluiu ideologicamente de propósito para ampliar sua base de apoio e consagrar-se por inteiro ao objetivo imediato: a formação da aliança mundial anti-americana e anti-israelense. Não creio que seja uma coisa difícil de entender, nem problemática de averiguar. A idéia é simples e as fontes que a comprovam são muitas. No entanto, cada vez que volto a esse tópico, aparece alguém com a mesma resposta: "Não sou comunista, mas não quero os americanos mandando no Brasil." O sujeito endossa a tese dos comunistas que o "imperialismo americano" manda no Brasil -, toma partido deles na única luta em que estão empenhados no momento, e em seguida bate no peito verde-amarelamente: "Não sou comunista!"

Mas quem está ligando para o cidadão "ser" comunista ou não? Tudo o que querem dele é que faça exatamente o que está fazendo: que acredite na balela oficial "anti-imperialista", junte forças com a esquerda internacional, ajude a colocar o mundo sob o domínio da China, da Rússia e das ditaduras islâmicas e, em seguida, bata no peito, gritando: "Não sou comunista!"

Muita gente pensa que ainda está no tempo de Charles de Gaule, em que era viável ser conservador e anti-americano ao mesmo tempo. Naquela época, a Europa disputava com os EUA quem teria a honra de ser o protetor da civilização ocidental contra o avanço do comunismo. Os americanos achavam os europeus uns ladrões, os europeus desprezavam os americanos como bárbaros iletrados, e ambos os lados estavam de acordo num ponto: ceder à Rússia e à China, nunca. Mesmo os governos islâmicos eram uma garantia contra o comunismo. Você tinha três maneiras de ser anticomunista: era americanista, gaulista ou muçulmano.

Agora tudo mudou: a Rússia e a China não falam mais em "comunismo". Deixaram isso para depois. Aliaram-se aos muçulmanos, ajudaram-nos a descristianizar, emascular e subjugar a Europa, e agora só têm um problema pela frente: destruir os EUA (e, de quebra, Israel). Enquanto não conseguirem isso, não voltarão a discutir "comunismo". Para que haveriam de criar atrito com seus parceiros muçulmanos? Se o mundo será socialista, muçulmano ou socialista-muçulmano é assunto que só vai voltar à pauta quando americanos e judeus forem tirados do caminho. Para isso, a complexa parafernália da doutrina marxista sofreu um enxugamento brutal, reduzindo-se a um só item, capaz de unificar sem discussões toda a esquerda mundial: o "anti-imperialismo", quer dizer, anti-americanismo.

É aí que o brasileirinho entra em cena, gritando contra os EUA e jurando que não é comunista. Como se alguém estivesse ligando para a sua ideologia, para as suas crenças subjetivas. Idéias só importam quando estão em grandes cabeças. De microcéfalos só se espera que ajudem a fazer número, pouco importando as diferenças subjetivas que cada um carregue, para uso próprio, no seu cérebro entorpecido.



Artigo publicado pelo Diário do Comércio em 02/02/2006.

Envolvimento implícito

por Olavo de Carvalho

31 de janeiro de 2006



RESUMO: Nunca vi um esforço tão patético para extrair uma denúncia do nada como essa matéria contra a Opus Dei publicada pela Época.



Não conseguindo descobrir nenhum Mensalão de direita, o semanário Época denuncia: algumas pessoas devotadas à vida religiosa no Opus Dei fazem exercícios espirituais, vivem uma disciplina quase monástica e – supremo horror! – praticam a castidade. Para cúmulo do escândalo, informa a revista, "Geraldo Alckmin, pré-candidato à Presidência pelo PSDB, recebe formação cristã em encontros noturnos no Palácio dos Bandeirantes."

Já pensaram uma coisa dessas? Encontros noturnos, porca miséria. A que ponto chegamos, hein? Por que o governador não trata de fazer algo decente, por exemplo sair-se requebrando todo em encontros diplomáticos como o ministro Gilberto Gil ou entornar garrafas de uísque presidencial?

E essa arraia-miúda do Opus Dei, então, que movida pelo mau exemplo do chefe do executivo estadual se segura e se reprime em vez de se masturbar honestamente como, a julgar pela lógica da denúncia, o fazem com regularidade os redatores de Época e os demais cidadãos de bem?

Nunca vi um esforço tão patético para extrair uma denúncia do nada como essa matéria contra a Opus Dei. Jamais tive a menor simpatia por essa organização, nem muito menos pelo sr. Alckmin. Ela me parece uma devota perda de tempo, ele uma reencarnação yuppie do seu célebre homônimo mineiro, que entrou para a História como campeão nacional de murismo, indefinição, nulidade e piedosa abstinência de qualquer atitude pessoal no que quer que fosse.

Mas tudo o que a reportagem nos informa contra o governador é que ele procede como um membro qualquer da Opus Dei e que a organização, por seu lado, faz tudo o que seu regulamento professa fazer, ajudando os interessados a viver como discípulos de Santo Ignacio de Loyola no meio de carreiras mundanas embriagantes e tentadoras, coisa que é obviamente impossível sem alguns hiperbolismos disciplinares só capazes de espantar quem não saiba nada sobre práticas ascéticas, mais ou menos idênticas em todas as religiões, épocas e civilizações.

Bella robba! No entanto, a matéria é notável precisamente pelo tratamento verbal que dá à ausência de conteúdo, transformando-o em coisa vagamente assustadora por meio da exploração hábil do preconceito anti-religioso, tomado como critério universalmente aceito. À LUZ DESSE PRECONCEITO, NÃO PRECISA HAVER MESMO NADA DE ANORMAL NA CONDUTA DE PESSOAS CRISTÃS, POIS SEREM CRISTÃS JÁ É SUPREMAMENTE ANORMAL E CONDENÁVEL.

O truque funciona assim. Suponha uma platéia inteiramente composta de inimigos do espiritismo. Se, ali, você sai acusando alguém de espírita, a denúncia é ouvida como coisa grave e digna de atenção. A mesma denúncia, perante uma platéia de espíritas, soaria como puro nonsense, já que ninguém ali está predisposto a achar que ser espírita é coisa ruim. Suponha agora uma platéia indecisa, nem amiga nem inimiga do espiritismo. A pura acusação de "espírita", desacompanhada de qualquer prova da suposta ruindade do espiritismo, só serviria para uma coisa: para enganar cada membro individual da platéia, levando-o a crer que todos os demais já conhecem as maldades do espiritismo de cor e salteado, sendo ele o único ignorante no assunto. Pegos nessa armadilha, noventa por cento dos seres humanos adeririam mais que depressa à denúncia, só para não confessar ignorância. Assim, sem nada dizer de substantivo contra o coitado do espírita, você induziria boa parte do público a pensar mal dele sem saber por que.

Dou a essa técnica o nome de "envolvimento implícito". Ela é um dos usos mais calhordas que se pode fazer da linguagem. Sem dizer nada de substantivo contra a Opus Dei ou o governador Geraldo Alckmin, Época conseguiu induzir o público a pensar mal dos dois e até do catolicismo em geral, resguardando-se ainda de qualquer suspeita de havê-los acusado do que quer que seja.

Criar uma situação do nada, por meras palavras, pode ser uma arte. Pode ser teatro, poesia, ficção, até mesmo de alta qualidade. Pode ser até hipnose. Mas jornalismo não é. Como, porém, Época se alardeia nacionalmente uma publicação jornalística exemplar, cada leitor leigo, que até o momento não imaginava ser isso jornalismo, suporá que ele próprio era o único a ignorá-lo e, mais que depressa, admitirá que jornalismo é precisamente isso. Donde tirará facilmente a conclusão de que algo de muito grave, efetivamente, pesa contra o governador Geraldo Alckmin, o Opus Dei e a Igreja Católica, embora ele não saiba o quê.

O envolvimento implícito é um truque temível porque tem o dom de confirmar-se a si mesmo. Ele não é jornalismo, mas é preciso um hábil domínio da técnica jornalística para praticá-lo – e, nesse sentido puramente formal, ele é jornalismo, e até de alto nível. Alto nível de safadeza, mas alto nível de qualquer modo.

Quando uma revista semanal com o prestígio de Época se permite fazer do seu leitor o alvo desse tipo de gozação maquiavélica, e usá-lo como arma de guerra contra a religião da maioria dos brasileiros, é porque o senso do certo e do errado já desapareceu por completo do horizonte visível da classe jornalística.


DINES X MAINARDI


Ainda mais desavergonhado que Época é o Observatório da Imprensa, que já começou a cantar vitória contra Diogo Mainardi quando um dirigente do Opus Dei apareceu gabando-se de que duzentos jornalistas de elite haviam freqüentado encontros da organização. Estava aí a prova, berrou Alberto Dines, de que o Opus Dei, e não o petismo-comunismo, mandava na mídia brasileira. Haja paciência! Desde logo, o sujeito não citou um único nome: o placar ainda está cem a zero para Mainardi. Em segundo lugar, entre um jornalista participar de um retiro de fim de semana e tornar-se um militante a distância é longa. Em terceiro, duzentos jornalistas não bastam para suprir sequer as vagas de chefia em revistas especializadas e house organs só na cidade de São Paulo. Para exercer alguma influência na mídia seria preciso começar de mil, pelo menos. O Opus Dei está entrando no mercado dos altos cargos na imprensa com meio século de atraso em relação ao Partido Comunista, cujo legado de posições foi transferido em parte para o PT na década de 80. Por fim, quem disse que todo militante do Opus Dei é uma cabeça feita, fiel ao papa e às tradições da Igreja? Está aí o próprio sr. Alckmin, politicamente corretíssimo, adepto do casamento gay e, no mínimo, membro de um partido pertencente à Internacional Socialista, comprometido até à medula, portanto, com a estratégia do globalismo de esquerda. Apostar em Alckmin (ou de novo no próprio Serra) como alternativa "direitista" ao petismo é repetir a farsa das eleições de 2002.



Publicado pelo Diário do Comércio em 30/01/2006.